Paulo Betti está em todas
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Glenda Andrade<br> Agência Estado 
Paulo Betti está em plena ''época da colheita''. Só no cinema, vive um garanhão em ''A Casa da Mãe Joana'', de Hugo Carvana, e faz participações nos filmes ''A Mulher Invisível'', de Cláudio Torres, e ''Garibaldi na América'', de Alberto Rondalli. Na TV, está no elenco da minissérie ''Som e Fúria'', da Globo, todos com estréia prevista para 2009. Aos 56 anos, Paulo Betti também se prepara para mais uma investida como diretor com o longa ''A Canção Brasileira''. E mais: será narrador do documentário ''Novo Século Americano'', assinado por Fernando Meirelles.
No filme ''A Casa da Mãe Joana'' você vive um mulherengo que aparece seminu. Como é fazer isso quando não se tem mais 25 anos?
Eu me vejo e falo: 'Olha eu lá pagando mico' (risos). Mas não tenho vergonha nenhuma. Quando entrei na escola de Artes Dramáticas, na USP, essa era uma das grandes questões: mostrar ou não o corpo. Eu era muito caipira, vim de Sorocaba, e até beijar no rosto era estranho. Mas logo foi ficando claro que como ator a gente usa o corpo. Ele é meu instrumento de trabalho. Gosto de ver as pessoas nuas, de me ver nu. É um estado do meu personagem. Para mim, hoje, isso não é um problema.
Você está em mais outros dois filmes e em uma minissérie. Tem o projeto de mais um longa e será narrador do documentário de Meirelles. Não é muita coisa?
Em ''A Mulher Invisível'' e ''Garibaldi na América'' faço apenas participações. Em ''Som e Fúria'' o papel é pequeno também, mas o interessante é trabalhar com o Fernando Meirelles. ''A Canção Brasileira'' é um projeto meu, estou na fase de captação. É um longa metragem que conta a história do teatro musical no Brasil. Já fiz a peça, rodei o Brasil, e acabei de finalizar o disco com as canções. Agora vem o filme.
Você falou que era caipira...
Nossa, muito. Vim para São Paulo em 1972, tinha 21 anos, vim fazer faculdade. Minha mãe era empregada doméstica, meu pai, meeiro, via minha avó matar porco. Tive uma infância bastante humilde. Quando cheguei aqui achava muito difícil viver apenas do dinheiro de ser ator. Não dava, então tinha outro trabalho. Era auxiliar dois de uma empresa no centro, imagine, qualquer coisa é melhor que ser auxiliar dois de uma empresa (risos). Com esse dinheiro eu vivia, pagava o aluguel do quarto que eu dividia com um cara. Recentemente, estava aqui em São Paulo gravando ''Som e Fúria'' no centro da cidade também. Abri a janela e adivinha: dei de cara com o antigo prédio em que eu trabalhei como auxiliar dois. Foi naquele momento que vi como eu tinha dado um salto e ultrapassado uma barreira social quase que intransponível.
Olhando para a sua carreira, qual o papel que mais marcou?
Definitivamente o personagem Timóteo, de ''Tieta''. Na época, as novelas davam muita audiência, e meu personagem era muito popular. Outros, como o Lamarca, também marcaram. Hoje, aliás, percebo que tenho um pouco de cada um deles. O limite entre o ator e o personagem é frágil, então você acaba acumulando cada um deles.
Você sempre apoiou publicamente as campanhas para presidente do Lula. Faria isso novamente?
Sim. Minha trajetória pessoal me liga ao PT, à formação do partido. Eu sempre fiz campanha, só parei quando eles começaram a querer pagar para que os artistas participassem. Aí parei porque não achava certo.
Mas apoiaria mesmo depois de todos os escândalos que envolveram o PT nos últimos anos?
Obviamente hoje o PT não é mais a mesma coisa, mas ainda sim, dentro do contexto da política nacional, representa a luta pelos menos favorecidos. Apesar dos tropeços, o Lula, a figura dele, representa alguma coisa, creio que representa o brasileiro de verdade.


