Rio, 15 (AE) - O Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes, no centro do Rio, lotou ontem (14) para o show "Sinal Aberto", que Toquinho e Paulinho da Viola fizeram para gravar um CD ao vivo. Será o registro oficial do espetáculo que os dois vêm fazendo em São Paulo (capital e interior) desde o ano passado. Eles capricharam, tocando seus clássicos, homenageando seus compositores preferidos e apresentando o samba sincopado "Caso Encerrado", a primeira parceria dos dois.
Paulinho da Viola e Toquinho conhecem-se desde os anos 60, mas só se apresentaram juntos em 1969, num show com Jorge Ben Jor e Aracy de Almeida. "Foi um fracasso, o público não compareceu", lembra Paulinho. "Éramos desconhecidos, pois só alcançamos nossos primeiros sucessos meses depois", explica Toquinho. Desde então, os dois encontravam-se para jogar sinuca e falar de futebol, mas não fizeram mais música juntos. Por isso
o show do João Caetano era uma celebração.
Eles começaram juntos, com dois violões, cantando "Que Maravilha" (de Toquinho e Jorge Ben Jor) e "Nada de Novo" (de Paulinho), músicas do tempo em que se conheceram. Daí partiram para as homenagens. Paulinho cantou "Tempos Idos", de Cartola, e Toquinho, uma seleção de Tom Jobim e ainda "Berimbau", de Baden Powell e Vinícius de Morais. Baden, que estava na platéia, aprovou a versão do seu clássico, com o violão de Toquinho e o percussionista Papete tocando berimbau.
Quando ficou no palco só com sua banda, Toquinho homenageou os músicos que o inspiraram. Cantou o "Samba da Cancela", uma pérola inédita de Dorival Caymmi, e solou ao violão choros de Dilermando Reis, Canhoto e Garoto. Paulinho da Viola entrou com seu grupo logo em seguida e misturou sucessos recentes com músicas antigas. Mas o público prendeu a respiração em "Sinal Fechado", num arranjo novo em que o samba vai virando marcha militar do meio para o fim.
No encerramento do show, Paulinho e Toquinho voltaram juntos, desta vez com as respectivas bandas, para cantar "Regra Três" (de Toquinho e Vinícius de Morais) e "Timoneiro" (de Paulinho e Hermínio Bello de Carvalho), sambas que o público sabe de cor. Não foi suficiente e eles tiveram de voltar ao palco para mais dois números. Para hoje à noite está marcada outra récita, já com lotação esgotada. Os cambistas fizeram a festa, apesar de a direção do teatro garantir que não vende mais de quatro ingressos para cada pessoa. O bilhete que custava oficialmente R$ 10,00 era vendido por R$ 40,00. Quem não conseguiu entrar pode se consolar, porque o disco deve ser lançado no início de novembro.

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