Arnaldo Baptista já estava afastado dos Mutantes por três anos, quando reapareceu acompanhado de um instrumental marcante em 1976, com a Patrulha do Espaço. A banda misturava elementos do hard rock e progressivo, dando um respaldo contemporâneo para que Arnaldo ficasse à vontade em seu piano.
As décadas se passaram e a Patrulha do Espaço sobreviveu às turbulências, chegando ao século 21 com uma nova tripulação, capitaneada pelo fundador Rolando Castello Júnior (bateria). O grupo lança amanhã em Londrina, às 21h30 no Valentino, o disco ‘‘Dossiê 4 – 1992-2000’’. Os fãs de carteirinha devem abrir o olho: serão vendidos apenas 200 ingressos, pela bagatela de R$ 5,00 cada.
Calcada nos anos 60 e 70, a Patrulha do Espaço trilhou um caminho independente. Sobreviveu às discotecas no final dos anos 70, quando o rock amargou um exílio do qual só sairia na década de 80, transformado pelos punks.
A preocupação instrumental e as convicções ideológicas – com reflexos hippies – chocaram com o início do BR Rock oitentista, mais dançante e – com algumas exceções – menos preocupado com o resultado melódico. Desde então, a banda teve idas e vindas, encerrando as atividades em diversos momentos.
Apesar das tempestades, a Patrulha do Espaço enfrenta uma longevidade alimentada pela coerência com uma época em que o rock, sem conhecer a fragmentação atual, era mais coeso.
‘‘O percentual de renovação do nosso público chega a 80%, a gente está amealhando fãs. Eu sou da época em que rock era rock, hoje está dividido em tribos. Mas, nos nossos shows, há um ecletismo total, a gente está conseguindo resgatar isso’’, comenta Rolando Castello Júnior. Para o baterista, a loucura é o primeiro item de tanta dedicação. ‘‘É insanidade total, pensamos com o emocional, é uma profissão de f钒, acrescenta.
‘‘Dossiê Volume 4’’ é uma coletânea com trechos do festejado ‘‘Primus Inter Pares’’, de 1994, e ‘‘Cronophagia’’, de 2000. O CD traz também versões inéditas – inclusive com ‘‘Pátria Amada’’, gravada em 1998 em Curitiba. Este é o quarto disco de uma série de coletâneas que encerram os principais momentos da carreira do grupo.
O show de amanhã promete surpresas, com faixas da época de Arnaldo Baptista e outras homenagens. A formação inclui, além de Júnior, Marcello Schevano (guitarras e teclados), Rodrigo Hid (guitarras e teclados) e Luís Domingues (baixo). A Patrulha já possui, inclusive, material inédito para um novo disco. O lançamento só depende de negociações com uma gravadora. Caso os contatos não dêem certo, o novo CD sai da forma usual, independente.
A trajetória do grupo já rendeu LPs como ‘‘Elo Perdido’’ e ‘‘Faremos uma Noitada Excelente’’, ao lado de Arnaldo Baptista. Outro momento lembrado pelos fãs é ‘‘Primus Inter Pares’’ – incluído em ‘‘Dossiê 4’’ –, gravado em homenagem ao baixista Sérgio Santana, e lançado em vinil em 1994. Os discos da década de 80 também são procurados.
Mas qual a principal dificuldade para se chegar a um currículo tão extenso? Rolando Júnior ressalta que é, justamente, sobreviver. ‘‘O mais difícil é conseguir o equilíbrio entre a sobrevivência e carreira artística. Na época, o que pegava mais pesado, além da censura, era o meio incipiente do show business. Hoje está mais fácil, existe um circuito’’, ressalta.
Serviço – Patrulha do Espaço. Show amanhã no Bar Valentino (Avenida Bandeirantes, 61), em Londrina. Ingressos antecipados a R$ 5,00, à venda na Plug-In (Tower Shopping, loja 5, telefone 43 322-4674).

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