São Paulo - Sucesso no "Fantástico", o quadro "Chefe Secreto", com Max Gehringer, vem mostrando um outro olhar na relação entre patrões e empregados. Nesta primeira temporada, a atração, primeira adaptação feita na América Latina do formato inglês "Undercover Boss", disfarça os chefes e os coloca para trabalhar no chão da fábrica, ao lado de seus subordinados, sem que eles percebam nada.
Para que não estranhem as câmeras, a desculpa já é pronta: trata-se de um outro tipo de programa, de outro segmento, que acompanha o dia a dia de uma pessoa - no caso, o chefe disfarçado. Com isso, o campo fica livre para que a amizade com o mais novo companheiro de serviço comece.
"A experiência é importante para que o chefe possa ter um contato mais estreito e observar com mais profundidade o que ocorre na sua empresa", diz Gehringer. Ao longo da semana, são feitas mais de 80 horas de filmagens com o patrão disfarçado. No programa, ele pode trabalhar em diferentes setores e não deve se negar a receber ordens. "Ele também anda de transporte público e passa por todos os perrengues dos funcionários."
Para Gehringer, o legal do quadro é estreitar o diálogo entre as duas partes. "Todos têm um chefe que dá ordens, mas que, em muitos casos, não sabe da dificuldade que o cara passa. Por isso, colocar os líderes para pôr a mão na massa é mostrar que o diálogo pode ajudar. E muito", revela.
Por causa do sucesso do quadro, já há uma nova temporada do "Chefe Secreto" programada para novembro. "Ao todo serão oito empresas, com oito chefes diferentes. Há também a dificuldade em caracterizar os chefes para que eles não sejam reconhecidos por ninguém. Optamos por escolher empresas que têm filiais em outros Estados", conta.
Até agora, muitas histórias foram contadas pelos funcionários para seus chefes disfarçados. "Eu me emocionei muito em algumas delas, já que não temos ideia do que vai surgir. Teve gente que contou das dificuldades de colocar filho na escola, de problemas de saúde e financeiros que atrapalham o dia a dia. Detalhes que os patrões nem sonham e que podem influenciar o trabalho", revela. "A principal mensagem que o 'Chefe Secreto' deseja passar é que, quanto mais as cúpulas se aproximam e mantêm uma relação bacana com os funcionários, mais produtividade a empresa tem. E vamos cada vez mais em busca dessas pessoas que não aparecem, mas que têm muita história para contar."

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