Patriotismo se exerce no dia-a-dia
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segunda-feira, 04 de setembro de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Eles ainda são pré-adolescentes, mas já demonstram preocupações pertinentes pelo Brasil. Convidados pela Folha Cidadania, alunos da 5 e 6 séries participaram de um debate sobre o tema do patriotismo, aproveitando as comemorações da Semana da Pátria, iniciada ontem. Alunos do Colégio Estadual Professor José Aloísio Aragão, mostraram em suas respostas um senso crítico aguçado para questões que envolvem a relação dos brasileiros com a pátria.
Segurando com muito cuidado a bandeira brasileira, não se intimidaram em falar dos aspectos negativos e positivos da ''pátria Brasil''. Rebeka Diniz Alvez Machado, 11 anos, começou falando do quanto gosta do Hino Nacional. No primeiro semestre, três vezes por semana, ela e a sua turma cantavam os hinos Nacional, do Paraná e o de Londrina. ''Eu gostava muito de cantar o Hino Nacional, acho que era uma forma de representar o respeito ao Brasil'', afirmou.
Sua colega Ana Beatriz Rocha, 10 anos, comentou sobre a importância de se valorizar o país diariamente. ''Temos que valorizar o país como ele é, no dia a dia, não só em festividades, como na Copa do Mundo, quando o brasileiro fica meio metido.''
O aluno Leandro Corrêa André, 11 anos, criticou o fato de muitos brasileiros falarem mal do país ''por causa da política e da roubalheira''. ''Acho que a gente tem que amar o lugar em que vive. Podemos criticar o atual presidente, mas o Brasil não é o único que passa por crise política'', defendeu.
Além das riquezas naturais, os alunos também ponderaram sobre o povo brasileiro, definido por eles como ''otimista e pessimista''.
Questionados sobre o que seria necessário para garantir um futuro melhor para o país, Paulo Vargas, 11 anos, disse ser fundamental o respeito às leis. Rebeka voltou a participar afirmando que ''o povo e as indústrias precisam começar a cuidar mais das matas''. Ainda sobre a relação do homem com os recursos naturais, o aluno Artur Junges Leme, 11 anos, considerou que não haverá futuro ''se não evitarmos a qualquer custo o desperdício de água''.
A idéia de que no Brasil não existe racismo também foi espontaneamente abordada pela crianças. ''Isso não é verdade. Muitos brasileiros desprezam as pessoas pobres e negras'', ponderou o aluno Leandro.
Elas consideraram um desrespeito muito grande o ato de queimar a bandeira do próprio país ou de outra nacionalidade, mas avaliaram como normal usar roupas que fazem referência à bandeira. ''É como se fosse um símbolo que a pessoa gosta do país em que mora. É uma forma de demonstrar orgulho'', destacou Rebeka.
Temas como ''Mensalão'', 'Operação Sanguessuga'' e ''Eleição'' também foram lembrados pelos alunos, que argumentaram ser urgente políticas públicas que gerem ''mais empregos, mais moradias e mais hospitais''. ''Sem isso, é difícil um país crescer de verdade'', um deles considerou.


