PATRIOTISMO EM EXCESSO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de janeiro de 2001
Celso Mattos De Londrina 
Os fãs ou as fãs de Mel Gibson podem comemorar: nas próximas semanas deve estreiar nos cinemas O Que as Mulheres Querem, o novo filme do astro. Nesse mesmo período está chegando às locadoras O Patriota, grande sucesso do segundo semestre do ano passado.
A produção reproduz de forma pouco fiel a Revolução Americana que levou à Independência dos Estados Unidos, em 4 de julho de 1776. No filme, Gibson interpreta Benjamin Martin, um veterano da guerra contra índios e franceses que invadiram a então colônia britânica, mas que há algum tempo se aposentou dos campos de batalha para se dedicar aos sete filhos.
Mas depois de uma tragédia familiar (que não vou contar para não estragar a surpresa), Martin resolve pegar suas armas e voltar à guerra para uma batalha sangrenta. O Patriota foi dirigido por Roland Emmerich, que tem no currículo bagaceiras como Independence Day e Godzilla. Mas se o diretor é suspeito, o roteirista Robert Rodat merece consideração: ele roteirizou O Resgate do Solado Ryan. Talvez, por isso, O Patriota tenha algumas qualidades.
Apesar de muitos clichês, discursos sobre liberdade, patriotismo ianque exacerbado e choradeira familiar, o roteiro flui com tranquilidade. Além disso, o filme não escapa da armadilha de mostrar os ingleses como monstros sedentos de sangue e americanos bonzinhos. A fita também foi bastante criticada pelo excesso de violência, principalmente por mostrar crianças segurando e usando armas. A batalha final, por exemplo, é pura carnificina. Mas para quem gosta de filmes de ação O Patriota é um bom programa. Tem a receita certa para agradar o espectador menos exigente: cenas grandiosas, um pai herói que luta para salvar a família e muita, mas muita emoção. Lançamento da Columbia. Duração: 164 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
ReproduçãoStellan Skarsgard e Demi Moore: tema repetitivo e simplista
Paixões Paralelas
Depois de ficar três anos longe das telas se recuperando do fiasco de Até o Limite da Honra, Demi Moore fez Paixões Paralelas, que acaba de chegar às locadoras. No filme, ela interpreta duas personagens: durante o dia Moore é Marie, uma viúva americana que vive na França com suas duas filhas e namora um escritor. À noite, ela é Mary, uma poderosa editora nova-iorquina cujo o homem de sua vida é um poderoso executivo.
O roteiro escrito por Ronald Bass explora a possibilidade de ser Marty quem sonha ser uma viúva exilada na França. Paixões Paralelas é a primeira incursão do cineasta francês Alan Berliner, que fez o excelente Minha Vida em Cor-de-Rosa, pelo cinema americano. O filme tem boas interpretações, uma bela fotografia e uma trama envolvente, mas o roteiro é bastante simplista, o que depõe contra o filme. Além disso, o tema sobre dupla personalidade já está muito batido e raramente apresenta algo de novo, o que é o caso de Paixões Paralelas. Lançamento da Buena Vista. Duração: 105 minutos.
DivulgaçãoComédia escrachada que faz colagens dos últimos filmes de terror
Todo Mundo em Pânico
O mega-sucesso dos cinemas está sendo lançado em vídeo e promete ser o carro-chefe das locadoras neste início de ano morno. A fita é uma divertida colagem dos últimos filmes de terror produzidos por Hollywood, mas do ponto de vista cinematográfico, Todo Mundo em Pânico é um lixo. A direção é amadora, as interpretações são de arrepiar e o roteiro tem frases que machucam até os ouvidos menos sensíveis.
O filme tira o maior sarro de produções recentes como Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, A Bruxa de Blair e não perdoa nem Matrix e O Sexto Sentido. É uma comédia bem ao gosto dos adolescentes: tem sangue jorrando por todos os lados e muitas cenas escatológicas. É impossível não cair na risada. A dica é não apertar a tecla stop antes dos créditos finais para não perder a última surpresa. Lançamento da Paris. Duração: 90 minutos.


