O presidente Bill Clinton gostou tanto do filme ‘‘Força Aérea Um’’ que acabou assistindo-o duas vezes. Não é difícil imaginar o porquê. No mínimo ele se viu no lugar do ator Harrison Ford, que interpreta o presidente dos Estados Unidos nessa eletrizante aventura. Mas as cifras das bilheterias de ‘‘Força Aérea Um’’ nos Estados Unidos mostraram que não foi apenas o presidente que gostou do filme. Os norte-americanos, com seu patriotismo à flor da pele, tiveram orgasmos nos cinemas quando viram na tela o que um presidente pode fazer quando vê seu país e sua família ameaçados.
Nessa aventura patriótica, Harrison Ford é James Marshall, um presidente idealista que se torna herói após desabaratar sozinho uma quadrilha de terroristas em pleno ar. O jato presidencial Air Force One está retornando de Moscou para Washington, quando é sequestrado por terroristas radicais que exigem a libertação de um general genocida do Cazaquistão. O vilão é interpretado pelo excelente Gary Oldman, sempre muito convincente nesse tipo de atuação. Já a direção ficou a cargo do alemão Wolfgang Petersen, responsável por outros bons filmes de ação como ‘‘Barco: Inferno em Alto Mar’’ e ‘‘Na Linha de Fogo’’.
Mas onde está a diferença entre ‘‘Força Aérea Um’’ e outros filmes de ação? Em vários pontos. A começar pelo elenco, que reúne dois grandes astros de Hollywood: Harrison Ford e Gary Oldman conseguem transmitir sentimentos em seus personagens, fazendo com que o telespectador fique dividido entre um e outro. A direção de Wolfgang Peterson é extremamente competente nas cenas de ação, mantendo o filme em constante movimento. Além disso, ‘‘Força Aérea Um’’ tem uma trilha sonora triunfalista e inspirada de Jerry Goldsmith e um elenco de apoio que surpreende em todas as cenas. Vale lembrar que Glenn Close faz a vice-presidente dos Estados Unidos, num papel secundário, mas decisivo.
Para quem gosta de ação, ‘‘Força Aérea Um’’ é divertimento garantido, apesar dos clichês que aparecem aos montes. A inveja que Bill Clinton certamente sentiu de Harrison Ford é justificável, afinal, não é qualquer presidente que consegue as façanhas de James Marshall. Por outro lado, não é qualquer chefe de Estado que tem habilidade para reverter uma acusação de assédio sexual e manter sua popularidade lá em cima. Lançamento da Abril Vídeo. Duração: 124 minutos. (C.M.)

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