Patrimônios fadados à ruína
Para desconsolo dos amantes da preservação do patrimônio histórico, os prédios mais difíceis de se recuperar são justamente os que deveriam dar o exemplo. A Junta Militar e a PUC/PR são proprietários de ruínas em Paranaguá. O prédio do Ministério do Exército está em trâmites de doação para o município. O da PUC/PR está em fase de projeto para restauração. Nele vai funcionar a sede da universidade para atendimento comunitário. Outro, do Ibama, está descaracterizado precisando de recuperação. O do IAP também está merecendo reforma.
Seguindo esse retrocesso, o Instituto de Educação Caetano Munhoz da Rocha, do Governo do Estado do Paraná, está interditado. Os 2,2 mil alunos dos ensinos fundamental e médio estão usando as salas da Faculdade de Ciências e Letras, que fica ao lado.
Mas os estudantes ainda usam o pátio do Instituto para as aulas de Educação Física e para o recreio. O prédio é um dos conjuntos mais completos construídos no início do século 20, mais precisamente em 1917.
Com área construída de 3,2 mil metros quadrados, o prédio tem entre as marcas do passado uma escadaria de jacarandá, um vitral de beleza incomparável, além de degraus em mármore Carrara, lustres e piso de gres (pastilhas de porcelana).
Este prédio, com características do final do período ecletista, recebeu tratamento palaciano, reconhece o arquiteto Luiz Marcelo Bertoli de Mattos. Os vidros das portas e janelas são trabalhados em biseautS (lapidação oblíqua), e na sala do diretor Josué Santos do Carmo, junto com o contrapiso esfarinhado por cupins, há um altar que pertenceu à mãe de Caetano Munhoz da Rocha.
Ainda na mesma sala está um relógio de pêndulo antigo que parou há dois meses quando da interdição. Nas paredes internas e externas, há várias esculturas e um mural de João Turin, as colunas são revestidas com scagliolas (pintura imitando mármore), sancros e estuques de gesso.
A gente gosta de ficar passeando por aqui. Este prédio é muito mais bonito e a gente tinha mais liberdade, reconhece Aline Cristina Machado da Silva, aluna da 7ª série. Ela e a colega Daiane Vicente Saraiva gostam de conversar nos jardins do instituto.
Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a secretária de Estado da Educação, Alcyone Saliba, diz que este é um dos 22 colégios em prédios históricos no Estado que vão ser restaurados. As obras devem se iniciar no final do segundo semestre e devem estar concluídas em um ano. Apenas no período letivo de 2001 o instituto poderá ser ocupado novamente. (E.M.C.)





