PATRIMÔNIOS DA HUMANIDADE - Um passeio pelas relíquias brasileiras
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de maio de 2008
Camila Anauate<br> Agência Estado 
São Paulo - Poucas cidades no mundo podem ser comparadas a Brasília em termos de design arrojado e de inovação. Também inimitáveis são as relíquias arquitetônicas das históricas Ouro Preto, Diamantina e São Luís. Cataratas do Iguaçu, Fernando de Noronha, Amazônia: quem pode competir? Graças às belezas naturais e culturais únicas, esses sítios são mais do que destinos turísticos imperdíveis. Eles estão na lista de Patrimônios da Humanidade.
O Brasil tem 17 lugares com o status concedido pela Unesco - divididos nas categorias cultural e natural - e outros três destinos candidatos ao título: a Praça São Francisco, em São Cristóvão (SE), a Rota do Ouro em Paraty (RJ) e a Paisagem Cultural do Rio.
De Norte a Sul do País, esses patrimônios rendem um belo roteiro turístico. Por isso, a reportagem convida a uma jornada para desvendar o legado dessa rica história.
Modelos
A viagem começa pelas duas únicas cidades brasileiras declaradas Patrimônios Mundiais: Ouro Preto e Brasília. A cidade mineira, aliás, foi o primeiro destino brasileiro a ser incluído na lista da Unesco, em 1980. Com mérito. A exploração do ouro nos séculos 17 e 18 transformou a antiga Vila Rica num importante centro econômico e ajudou a realizar ''todos os sonhos barrocos'', como escreveu Cecília Meireles.
Os recursos da mineração - aliados à genialidade dos mestres Ataíde e Aleijadinho - formaram sobre o calçamento de pedra ainda original o maior acervo arquitetônico do barroco brasileiro.
É preciso bater perna para desvendar as heranças inimitáveis desse patrimônio. Comece na Igreja São Francisco de Assis, obra-prima da arte colonial. Aleijadinho fez o risco do prédio, a portada, a tribuna do altar-mor e a capela-mor, além de esculpir os púlpitos. E Mestre Ataíde pintou o forro da nave, entre 1801 e 1812.
A Matriz de Nossa Senhora do Pilar é a segunda parada. Com 434 quilos de ouro em pó nas talhas da nave e na capela-mor, é considerada a mais rica da região. Também merecem visita a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, onde está o Museu Aleijadinho; a Igreja Nossa Senhora do Carmo, única com painéis de azulejos portugueses; e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, erguida (e frequentada) por escravos com belíssima fachada em linhas curvas.
Na Praça Tiradentes, o ponto central da cidade, está o Museu da Inconfidência, que apresenta réplicas de Aleijadinho, obras de arte sacra, sepulturas dos inconfidentes e até a suposta forca de Tiradentes. Ali perto, a Casa dos Contos, antiga prisão dos inconfidentes, virou museu e expõe objetos de tortura usados nas senzalas. Se quiser ir um pouco mais longe, suba na tradicional maria-fumaça e siga até Mariana, outro importante ícone da história nacional.
Poderosa
Brasília foi a primeira cidade moderna do mundo a ser declarada Patrimônio Mundial. O título, recebido em 1987, refere-se ao conjunto urbanístico construído a partir do plano piloto de Lúcio Costa, o que inclui os projetos arrojados - hoje cartões-postais - do centenário arquiteto Oscar Niemeyer.
Um bom roteiro para conhecer as curvas futurísticas da cidade passa pelo Eixo Monumental, onde estão a Praça dos Três Poderes, a Esplanada dos Ministérios e a Catedral Metropolitana. Todas as instituições têm visitas guiadas.
As cúpulas côncava e convexa do Congresso Nacional e os dois prédios interligados (formando um H) são o símbolo da cidade. No Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo - com reforma prevista para agosto -, o turista pode conhecer o gabinete presidencial nos domingos em que o presidente Lula não está lá. O prédio tem obras de arte de Alfredo Volpi, Bruno Giorgi e Di Cavalcanti.
Com colunas de mármore branco, o Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente, só recebe visitas às quartas-feiras. E o tour pelo Palácio do Itamaraty, onde fica o Ministério das Relações Exteriores, leva a salões onde o presidente recebe autoridades internacionais.
Não deixe de conhecer a Catedral Metropolitana, um exemplo de arquitetura inovadora, com planta circular e 16 pilares unidos no topo. A nave principal, abaixo do nível do solo, recebe luz natural pelos elegantes vitrais pintados por Marianne Peretti. A Via Sacra é obra de Di Cavalcanti.


