A semana começou com a triste notícia de que um incêndio de grandes proporções devastou o Museu da Língua Portuguesa (MLP), na Praça da Luz, região central de São Paulo. O teto do museu ficou totalmente destruído e o fogo chegou à torre do relógio. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil dizem que um curto-circuito durante uma troca de lâmpadas pode ter causado o incêndio, mas o laudo oficial só deve ser divulgado nas próximas semanas. Todo o acervo é digital e, portanto, conta com uma cópia de segurança. Apesar disso, a estrutura física foi perdida. Ainda não há estimativas do prejuízo.
O museu e todo o complexo da estação não tinham aval dos bombeiros para funcionar. Segundo a corporação, os responsáveis pelo museu apresentaram projeto em 2004, que foi aprovado, mas não deram prosseguimento ao pedido. A apresentação é só a primeira fase de um processo para obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). O segundo passo é um pedido de visita dos bombeiros para análise das edificações.
Qualquer semelhança do incêndio do MLP com o fatídico dia 12 de fevereiro de 2012, quando o Teatro Ouro Verde, em Londrina, foi tomado pelas chamas, não pode ser considerado mera coincidência. A tragédia levou parte da história da cidade junto com as labaredas. À época, houve uma grande repercussão sobre o fato de o local ter passado por vistoria apenas quatro anos antes pelo Corpo de Bombeiros e que o certificado de vistoria não estaria regularizado. Depois de uma grande mobilização, o Governo do Estado anunciou que o teatro seria reerguido. O espaço passa por reforma desde janeiro de 2014 e deveria ter ficado pronto em julho de 2015. Mas, por atraso nos pagamentos, teve as obras suspensas por um período e um novo cronograma será definido em janeiro.

Patrimônio

Apesar de o MLP ser relativamente novo, tendo sido inaugurado em 2006, estava localizado nas instalações da Estação da Luz, patrimônio histórico de São Paulo erguido 148 anos atrás. O complexo da Estação da Luz é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Este instrumento de reconhecimento, no entanto, não foi o suficiente para evitar que o incidente acontecesse. E isso tem sido recorrente, tanto em obras tombadas quanto em outras obras de interesse social que não possuem a tal "proteção". O documento, definitivamente, não traz garantias de manutenção do bem.
Em Londrina, existem quatro bens tombados pela Coordenação do Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado da Cultura (Seec): Praça Rocha Pombo, Museu de Artes de Londrina (antiga Rodoviária), Palacete da Família Garcia (na Avenida Higienópolis, onde funciona atualmente uma agência bancária) e Teatro Ouro Verde. Quase todos encontram-se em situação inadequada de manutenção. Assim como esses, existem outros em situação complicada, como Museu Histórico de Londrina e Teatro Zaqueu de Melo, colocando em risco, na maioria das vezes, a estrutura em si, bem como acervos culturais e históricos da cidade que necessitam de um acondicionamento adequado e outros mecanismos para sua preservação.
O fato é que obras públicas no Brasil, em geral, não possuem recurso fixo previsto em orçamento para manutenção, reparos ou reformas. Caso um incidente aconteça – como incêndio, enchente, destelhamento ou até mesmo necessidade de pequenas intervenções estruturais – o espaço fica à mercê de emendas públicas, ações de emergência e doações, enquanto a deterioração do local, sobretudo do acervo, é inevitável. Na prática, o tombamento acaba sendo apenas um instrumento para que a obra não seja descaracterizada caso passe por alguma intervenção, tendo que ser mantido o projeto arquitetônico original. Quando não possui, o 'descaso' é ainda maior. (Com Folhapress)

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