O termo ''patrimônio'' abrange um leque amplo de bens materiais e imateriais, que inclui desde edifícios de valor histórico e arquitetônico a lugares, saberes, celebrações ou formas de expressão representativas de uma comunidade.
Para o leigo, a impressão é que quase tudo pode ser declarado como patrimônio e reconhecido em alguma de suas variadas categorias - histórico, cultural, artístico, ambiental, urbano, rural, arqueológico, etnológico, sonoro, etc. O livro ''Polifonias do Patrimônio'', que será lançado amanhã em Londrina, discute o conceito e reúne artigos de pesquisadores de várias regiões do Brasil.
A sessão de autógrafos com os autores londrinenses incluídos na obra, seguida de show da banda Gigo Dog Blues, está prevista para às 20h no bar Valentino. ''O livro oferece uma pluralidade de abordagens. Os textos são de professores que se encontram em eventos e estabelecem relações a partir desse intercâmbio de seus objetos de estudo'', diz Zueleide Casagrande de Paula, co-organizadora da coletânea ao lado de Lúcia Glicério Mendonça e Jorge Luís Romanello.
Docente do Departamento de História da UEL, ela assina o artigo ''O Patrimônio Urbano e o Restauro: a Casa da Criança de Vilanova Artigas'', em que aborda o projeto de suposta restauração do prédio da Secretaria Municipal de Cultura (originalmente Casa da Criança), iniciado em setembro de 2010 e interrompido em agosto do ano passado.
''O que houve ali foi uma tentativa de reforma e não de restauração'', defende ela, argumentando que o desenho original do arquiteto Vilanova Artigas (em parceria com Carlos Cascaldi) teria sido modificado já na construção do edifício. De acordo com ela, o projeto em curso pretende restituir a obra inaugurada em 1954 e não sua origem proposta em projeto pelo famoso arquiteto modernista.
Também docente do Departamento de História da UEL, Jozimar Paes de Almeida participa da coletânea assinando o artigo ''O patrimônio ambiental é histórico'', no qual pondera sobre o descaso em relação a espaços públicos contemplados com a lei da preservação. Ele aborda as situações do Lago Igapó e do Parque Arthur Thomas, cartões postais de Londrina protegidos pela legislação ambiental, mas sujeitos a agressões de moradores e usuários do entorno.
''A lei estabelece claramente a proibição de construções de edificações públicas ou privadas numa largura mínima de trinta metros, somadas ainda com faixas de proteção permanente das margens do corpo d'água. No caso do Lago Igapó, a lei não é aplicada, encontrando-se em uma parte considerável de suas margens, dentro desta largura mínima legal, edificações do poder público, de clubes recreativos e de residências particulares de famílias de alto poder aquisitivo'', assinala.
Outra pesquisadora da UEL presente no livro, Cacilda Maesima traz reflexões sobre o patrimônio histórico e arquvístico no Brasil em seu texto ''De Centro de Documentação a lugar de Memória'', no qual examina o Centro de Documentação e Pesquisa Histórica da Universidade Estadual de Londrina (CDPH-UEL), onde ocupa o cargo de Técnica em Assuntos Universitários.
Publicada pela Eduel, a obra estará à venda a R$ 30 no lançamento e a R$ 40 nas livrarias.

Serviço:
- Lançamento do livro ''Polifonia do Patrimônio''
Quando - Amanhã às 20h
Onde - Bar Valentino (Av. Pref. Faria Lima, 486), em Londrina
Informações - (43) 3348-0791
Ingressos - Gratuito
* Após o lançamento do livro, acontece show da banda Gigo Dog Blues, com couvert a R$ 5

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