Patrimônio histórico pouco conhecido, mas valioso
Lembra da bandeira da Paraíba? Preta e vermelha, com a palavra ''nego'' escrita, ela simboliza o sangue e o luto com que o Estado resolveu homenagear o ex-governador João Pessoa, morto na década de 30 a tiros no Recife, supostamente por negar-se a colaborar com o governo Washington Luís.
A capital acabou herdando o nome do cidadão e deixou de ser chamada de Parahyba. Não foi a primeira vez que foi rebatizada. Fundada em 1585 com o nome de Nossa Senhora das Neves de Filipéia, em tributo ao rei Felipe da Espanha que, na época, dominava Portugal, a cidade depois virou Frederica, quando caiu nas mãos dos holandeses. E só mais tarde passou a atender por Parahyba.
A interessante história de João Pessoa pode ser comprovada nas dezenas de igrejas, museus, fortalezas e construções que estão sendo aos poucos restauradas. O centro histórico do bairro de Viradouro, por exemplo, lembra as cidades coloniais brasileiras, mas pela distância da praia, acaba sendo pouco explorado. Existe até uma vida noturna surgindo por lá, mas ainda tímida, a anos-luz do Pelourinho.
Caso tenha tempo na capital não deixe de visitar a Igreja de São Francisco, exemplo clássico de arquitetura barroca brasileira. Sua fachada permanece original e o interior revela peças preciosas como o altar cheio de anjos e arcanjos banhados a ouro, além do teto com pinturas renascentistas. Ao lado da igreja, o Convento de Santo Antônio funciona também como museu de arte regional e reúne trabalhos de diversos artistas locais.
Por falar em arte, a Paraíba é terra de cantores como Zé Ramalho, Chico César, Jackson do Pandeiro e Sivuca, de escritores como José Lins do Rego e Augusto dos Anjos, e artistas plásticos como Clóvis Júnior, Chico Ferreira e o pintor Pedro Américo. Este último, natural de Areias, produziu, entre outros, o famoso quadro ''O Grito da Independência''. Um acervo pouco conhecido, que a Paraíba quer, enfim, divulgar para o mundo.





