Os números já demonstram o teor do desafio a ser completado: seis mil quilômetros percorrendo 120 museus catalogados, em 74 cidades do Estado do Paraná. Objetivos a serem conquistados é o que não faltam à dupla de jornalistas formada por Theo Marques também fotógrafo e Melissa Medroni em quarenta e cinco dias de viagem.
A começar pelo argumento de conhecer o Estado através da visitação desses espaços que, por tabela, permite a fomentação do turismo cultural. Entre os resultados finais, uma mostra fotográfica será lançada junto ao guia de museus, previstos para o mês de julho.
A idéia de ''humanizar os museus'' partiu da arquiteta curitibana Wivian Diniz, especialista em Patrimônio e Restauro, que apresentou no ano passado o projeto junto a Secretaria de Estado da Cultura. ''A Wivian me convidou e disse que precisaria de uma jornalista para integrar a equipe. Foi então que chamei a Melissa para participar desse projeto comigo'', acrescentou Theo.
A dupla, que iniciou a aventura a quatro rodas no dia 23 de janeiro em Carambeí, cruzou informações de dois projetos estaduais, sendo eles, ''Paraná da Gente'', e outro, da Coordenadoria do Sistema Estadual de Museus do Paraná (Cosem). ''Pretendemos mudar a imagem que as pessoas têm dos museus, fazendo com que despertem o interesse das populações com respeito à história do prédios, à cultura local. O museu sempre tem outra finalidade além de guardar objetos antigos. Hoje ele deve interagir com a comunidade'', disse Melissa.
Entre as cidades da região Norte e Nordeste já visitadas, a diversidade histórica foi ponto constatado pela dupla. ''A gente não consegue definir uma padrão entre os museus, já que cada cidade tem uma história diferente. É interessante perceber como o povo paranaense tem história. E, às vezes, achamos que os gaúchos é que tem hitória'', comentou a jornalista. Theo, por outro lado, notou a diversidade étnica de colonização em uma mesma cidade.
Dois locais em Londrina - o Museu de Arte e o Museu Histórico - receberam a visita da equipe na semana passada, logo após a passagem pelas cidades de Itambaracá e Ribeirão Claro. ''Mesmo antes de conhecê-los (os museus), a gente sempre gostou daqui. As pessoas são muito receptivas e acreditamos que desde o início da colonização, a cidade recebia quem chegava, como diz seu próprio hino, 'de braços abertos'', revelou Melissa.
Desde 1986, o Museu Histórico de Londrina ocupa o prédio da antiga estação ferroviária, marco histórico da origem inglesa da colonização de Londrina e do Norte Novo do Paraná. ''Esse museu é fantástico. A começar pela entrada; é como se ele fosse buscar as pessoas do lado de fora. A estrutura é ótima e o jardim é bem cuidado'', comentou a jornalista. Quanto ao Museu de Arte, inaugurado em 1993 e com projeto arquitetônico de linhas modernistas assinado por Vilanova Artigas, a dupla sugere ser uma ''complementação do outro lado da rua''.
Theo e Melissa devem seguir viagem até o carnaval, período em que farão uma pausa para a segunda etapa do projeto. ''Pensamos que cada cidade onde paramos é uma pauta a ser cumprida. A cada parada, elaboramos um relatório, fazemos as fotos e enviamos à Wivian'', disse ele.
Bem, são dezenas de cidades e algumas com mais de um museu. Para a dupla, isso significa pouco tempo para a quantidade de informação a ser absorvida. E dentro dessa ''rotina'', fatos engraçados também dão o tempero para prosseguirem o roteiro: '' Às vezes a gente chega numa cidade e ficamos meio perdidos. É tudo muito rápido. Saímos perguntando às pessoas como fazemos para chegar a tal lugar, enquanto outras vezes, o próprio prefeito vai nos receber'', contou ela.
Melissa revela que recebeu o convite quando viajava pela Europa com seu namorado. ''Quando recebi essa proposta, pensei: agora vou viajar no 'quintal da minha casa' depois de ter viajado tanto tempo com uma mochila nas costas. Aceitei, primeiramente porque sou paulistana e conhecia pouco do Paraná. Outro fator é que muitas pessoas falam com propriedade dos grandes museus, como o Louvre, sem ao menos conhecer os museus locais'', ponderou. Quanto a Theo, ele enfatiza o desejo de há tempos querer conhecer o Paraná. ''Sempre quis fazer essa viagem, mesmo antes de conhecer outros Estados e outros países. É fantástico poder fazer a rota que os tropeiros percorreram nos séculos 18 e 19, além de conhecer o Norte pioneiro'', ressaltou.
Hoje, a aventura segue pelas cidades de Porecatu e Cafeara. Até o momennto, foram pecorridos cerca de dois mil e cem quilômetros de estrada. Muita história ainda vai rolar.

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