Um século depois de pôr abaixo a muralha, o governo acertou o rumo: hoje a ordem do dia em Campeche é preservar. Em 1999, foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Dois anos antes, cerca de 1.500 fachadas do Centro Histórico haviam sido restauradas e recuperaram o colorido característico da época em que a cidade era o mais importante porto da Península de Yucatán – formada ainda pelos atuais Estados de Quintana Roo, onde está Cancún, e Yucatán, cuja capital é Mérida.
Andar pela colonial Campeche lembra o tempo de senhores e piratas. Traz a sensação de se ter entrado na máquina do tempo. Sentado num banco da praça principal, dá para imaginar as ‘‘señoritas’’ em suas saias de tons vibrantes no passeio da tarde em torno do coreto, leques em punho para aliviar o calor do Golfo do México. A cruzar as ruas, os ‘‘aguadores’’ com seus carrinhos em formato de barril, cheios de água da chuva armazenada para ser vendida de casa em casa. Ainda hoje podem ser vistos nos bairros mais distantes.
Tudo em Campeche tem seu ritmo próprio. E isso não é de hoje. O conquistador Francisco de Montejo, ‘‘El Mozo’’, fundou a vila em 1540 e ordenou que fosse erguida uma catedral. Ela foi, 165 anos depois, mas foi. Está lá no Parque Principal (nome da praça da cidade), destacada das fachadas do Centro Histórico por sua cor branca.

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