Curitiba - Depois de ser inaugurada, em dezembro do ano passado, a nova sede do Museu Paranaense finalmente abre as suas portas. A reabertura do espaço acontece hoje, com programação a partir das 18h30. Essa é a primeira vez, em 126 anos de existência que o museu mais antigo do Estado é instalado numa sede própria, no Palácio São Francisco, em Curitiba. Nos últimos 29 anos, o terceiro museu mais antigo do Brasil funcionava no antigo Paço Municipal, na Praça Generoso Marques. No ano passado, na gestão do ex-governador Jaime Lerner (PFL), o prédio foi devolvido à prefeitura e parte do acervo transferido para o Palácio São Francisco.
Em dezembro, mesmo sem ter sido concluída e sem ter recebido todo o acervo, a nova sede foi inaugurada, fechando as suas portas em seguida. Agora, seis meses depois, o museu reabre, expondo parte do seu acervo que conta a história do Paraná em 12 salas e num anexo de cerca de 1,4 mil metros quadrados. Com o anexo, a área total do Palácio São Francisco chega a 4,5 mil metros quadrados, um espaço três vezes maior do que as antigas instalações do museu na Praça Generoso Marques.
Numa visita programada para a imprensa, na segunda-feira, a diretora do museu Eliane Moro Réboli e a secretaria da Cultura Vera Mussi disseram que a demora da reabertura do espaço se deu justamente pela falta de conclusão das obras e da transferência do acervo, que estava incompleta na data da inauguração. Para transferir o restante do acervo, a Secretaria da Cultura teve que contar com o apoio do exército. ''Só um cofre que estava no antigo prédio precisou de 20 homens para ser carregado, mais um guincho cedido pela Copel'', contou Vera Mussi.
''Não quero atribuir erros à gestão anterior, mas o atual prédio não poderia ter sido inaugurado do jeito que estava, sem ter sido concluído e sem o acervo ter sido trasnferido por completo'', amenizou a secretária. As obras de restauração do Palácio São Francisco consumiram investimentos de R$ 5 millhões. O prédio foi construído originalmente para ser residência da Família Garmatter, na década de 20. Chegou a abrigar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e a TV Educativa. Agora será a sede permanente do Museu Paranaense, inaugurado em Curitiba 1876.
As pinturas originais de várias paredes do Palácio foram restauradas e as cores recuperadas. Nesse cenário, as peças do museu ganharam maior destaque e as exposições perderam o incômodo amadorismo que tinham quando expostas no prédio antigo. As mais de 300 mil peças do acervo do Museu Paranaense contam a história do Estado desde 8 mil anos antes da época atual até o século 20.
A diretora do museu admite que algumas peças e objetos se perderam ou foram danificadas com a transferência do acervo, mas ainda não foi feito um levantamento das perdas. ''Isso é normal em qualquer mudança'', argumenta. O museu abre com a mostra temporária Fandango e Manifestações Litorâneas'', acervo da Casa do Fandango do Mestre Eugênio, em Paranguá. As outras salas de exposição abrigam parte do acervo do museu. Em uma das salas, por exemplo, móveis, livros, objetos e documentos antigos reproduzem a sala de Romário Martins, que foi diretor do museu por 25 anos.
Mas o que mais promete chamar a atenção dos visitantes é a pavilhão anexo ao Palácio São Francisco. A construção moderna, totalmente climatizada, contrasta com as peças antigas, animais empalhados e objetos indígenas que contam a história da ocupação do Estado. Um painel luminoso vai reproduzir parte dessa história, que também pode ser conhecida por meio de uma linha do tempo instalada no corredor de acesso ao anexo. Uma biblioteca com 25 mil títulos também promete ser parada obrigatória.
Para o segundo semestre, a meta é inaugurar uma loja de souvernirs e um café e ativar a Sociedade Amigos do Museu, transformando-a em uma fundação capaz de captar recursos por meio da iniciativa privada. ''Hoje todos os grandes museus valem-se desses recursos e não podemos ficar atrás'', diz a diretora do espaço. O objetivo é também é promover eventos paralelos dedicados a crianças e idosos. ''Sempre com o enfoque nas raízes paranaenses'', adianta Eliana.
Quanto ao prédio que abrigou o Museu Paranaense por quase 30 anos, na Praça Generoso Marques, a prefeitura informou que está em andamento um projeto de restauração do prédio. O local será trasnformado em um salão de atos e também vai abrigar um pequeno museu contanto a história do prédio.
Serviço: Reabertura do Museu Paranaense, na Rua Kellers 289, hoje a partir das 18h30, com apresentação da Banda da Polícia Militar do Paraná, Grupo Fandango Família Pereira, Coral 3 Idade e show com o cantor e compositor Carrigo. Além do acervo, o museu apresenta a Mostra Fandango e Manifestações Litorâneas.

mockup