Curitiba - O prédio do Museu da Imagem e do Som (Mis), em Curitiba, tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná, vai ser, finalmente, reformado. Desocupado desde 2003, quando o Mis foi transferido para um prédio público no bairro Santa Cândida (onde fica grande parte das secretarias do Estado) o prédio chegou a ser interditado para visitas antes mesmo da transferência do acervo. Está em péssimas condições, com telhados podres, rachaduras nas paredes, infiltrações e paredes mofadas, ameaçando os murais pintados na época da construção do edifício, no final do século 19. Agora, um projeto aprovado pela Lei Rouanet, e que será patrocinado pela Caixa Econômica Federal (CEF), quer mudar essa história. Isso não significa, no entanto, que a data para o importante acervo do museu voltar para o prédio está próxima.
Apesar do acordo entre a Secretaria de Estado da Cultura, órgão ao qual o Mis é vinculado, a Caixa Econômica Federal e Ministério da Cultura, já ter sido sacramentado e a primeira parte da verba de R$ 800 mil começar a ser liberada já em janeiro, a reforma não tem data para conclusão. Além disso, a restauração do prédio não garante ainda condições apropriadas para abrigar o acervo composto por mais de 1 milhão de imagens fixas (entre negativos, fotografias, filmes e documentos).
Para essa mudança existe alguns entraves. Em primeiro lugar, o próprio patrocínio da CEF não cobre os custos previstos para a reforma do prédio. Só a restauração do local está orçada em R$ 1,2 milhão. A CEF está liberando pouco mais de 60% desse valor. O restante ainda deverá ser garimpado pelo museu. Mais precisamente pela Sociedade dos Amigos do Museu (Samis), instituição criada para viabilizar projetos ligados ao Mis.
Em entrevista coletiva realizada ontem, em Curitiba, a presidente da Samis, Conceição Barindelli, disse estar animada com o projeto, mas admitiu que nem a conclusão da reforma e nem a volta da ocupação do edifício pelo museu estão definidas. Mas para ela, a Samis dá um grande passo ao fechar esse primeiro patrocínio e ganha respaldo para captar o restante. O próximo passo é buscar apoio para um projeto ainda mais ousado: o de transformar o prédio reformado num local adequado para receber o grandioso acervo. Não é tarefa fácil. Muito menos acessível financeiramente,
O museu abriga milhares de fotografias e negativos (muitos em chapa de vidro) do fotógrafo Guilherme Gluck; imagens de eventos realizados no Palácio Iguaçu desde 1943 e de uma arquivo único de imagens do fotógrafo Jesus Santoro, morto no ano passado. A filmografia recente do Estado e alguns filmes antigos também fazem parte do material. Recentemente uma emissora de televisão do Estado doou para o Mis câmeras e filmes antigos. Documentos catalogados pelo jornalista Aramis Millarch complementam o acervo, um dos únicos que podem contar em imagens a história do Paraná.
Todo esse acervo ficou no prédio histórico, localizado na Barão do Rio Branco, por 17 anos. Em condições precárias, diga-se. O imóvel foi inicialmente projetado e construído para abrigar a residência do engenheiro civil Leopoldo Ignácio Weiss. No mesmo ano em que ficou pronto, foi adquirido, todo mobiliado, pela Fazenda Nacional para sediar o Governo do Estado do Paraná. O palácio foi a primeira sede do Governo do Paraná, que lá permaneceu até 1937 quando o interventor Manoel Ribas adquiriu da família Germater o Palácio São Francisco (atual sede do Museu Paranaense), para lá transferindo a sede do governo em 1938.
A partir dessa data o imóvel foi ocupado por diversos órgãos estaduais: Secretaria de Obras Públicas e Colonização, Secretaria do Interior, Chefatura de Polícia, Secretaria do Interior e Justiça, Coordenação do Sistema Penitenciário, até receber, em 1989, o acervo e a parte adminitrativa do MIS, que depois de um período de 20 anos de itinerância por outras sedes, conseguiu, finalmente, seu endereço definitivo.
O local sofreu inúmeras adaptações ao longo dos anos, nenhuma adequada a um museu, mas detalhes da sua riqueza arquitetônica, como o arco abatido ladeado por colunas do salão superior, os frisos pintados com motivos florísticos e a sacada em dois lances do acesso principal ao pavimento superior, justificam a cuidadosa restauração que deve começar já no início de 2007.

Serviço:
- Atualmente o acervo do MIS está disponível apenas para visitas agendadas. Informações pelo telefone (41) 3351 6687.

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