O comprometimento do piso do segundo andar do Museu Histórico Padre Carlos Weiss levou a direção e a Sociedade Amigos do Museu (SAM) a definirem pela adaptação de um barracão para abrigar o acervo documental, que inclui exemplares de ''Paraná Norte'', o primeiro jornal de Londrina. Alguns membros da SAM discordam da solução.
''Estão aparecendo indícios de que naquele piso já não se pode colocar mais nada lá em cima. Vai chegar uma hora que vai cair e o caso poderá se transformar na laje dois da UEL'', afirma o diretor do museu, William Reis Meirelles, fazendo referência ao desabamento, em 2006, da marquise do anfiteatro do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Estadual de Londrina (CESA -UEL).
Não só o peso dos documentos, mas também o deslocamento das portas dos armários, onde o acervo está guardado, compromete a estrutura do prédio. Vigas de madeira no terraço, rachaduras e quedas de roboco já aparecem nas paredes.
O diretor do museu destaca que a mudança atenderá à exigência de um laudo produzido pelo engenheiro Ederaldo Furlanetto Júnior e que, inicialmente, o acervo seria transferido para Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH-UEL), o que provocou questionamentos da SAM, que defende que os documentos fazem arte do acervo do museu e, por isso, não devem sair do local.
Meirelles acrescenta que a transferência para o CDPH também atenderia ao Plano Diretor da UEL, prevendo que não haja duplicidade de documentos na universidade. ''O CDPH tem documentos históricos de Londrina, com um ambiente climatizado, ideal, construído e adaptado para essa finalidade. A SAM não concordou com a mudança e, em respeito, realizamos uma reunião e decidimos que vamos fechar um barracão e dar condições, grantindo que os documentos sejam preservados. A SAM se comprometeu em comprar todo o material necessário e a UEL entra com a mão-de-obra'', afirma Meirelles. A reunião foi realizada na quinta-feira de manhã.
O barracão de madeira, onde até bem pouco tempo estavam peças que pertencem à reserva técnica, tem 112 metros quadrados. Com a adaptação, o espaço não deve perder as características originais, abrigando os arquivos e uma sala de consulta de documentos, que poderá ser utilizada por pesquisadores que, por enquanto, não podem manusear o acervo, podendo pesquisar somente através de microfilmes.
''O local terá que ter uma divisão para os documentos de papel e outra para o fotográfico. Temos negativos de vidro, acetato e nitrato que, por exemplo, não pode ficar exposto ao ar porque pega fogo'', acrescenta o diretor.
A obra de adaptação do barracão deve levar pelo menos 30 dias, tende que considerar a vedação e climatização do espaço. Meirelles acredita que em 60 dias possa ser aberto para consultas, lembrando que o acervo reúne livros da Justiça Eleitoral. Muitas pessoas que se registraram como eleitores com a profissão de lavrador podem buscar essa informação no museu, que emite uma declaração, ajudando a contar um ano para a aposentadoria.
A decisão sobre a mudança do acervo documental para o barracão não agradou alguns membros da SAM, que questionam a necessidade de transferir todo o material para o novo espaço.
''Questiono é que se leve um engenheiro para ver quantos quilos devem ser tirados de lá . Que tire-se o peso de excesso e mantanha-se os demais. É preciso o laudo de outro engenheiro, acomodando os documentos com menos gastos. O que eles querem é desmontar o museu'', conclui um dos membros da SAM, Elenice Dequech.

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