Pato fu para todo Brasil
ReproduçãoPato Fu:
show de hoje
dá a largada
da turnê para
o lançamento
do disco Televisão
de Cachorro
Um disco é, muitas vezes, uma fraude. Nas mãos hábeis de um produtor, uma gravação pode mascarar a fragilidade de um artista cobrindo suas deficiências com os recursos de um estúdio bem equipado.
O mesmo não ocorre com um show, capaz de avalizar ou demolir supostos talentos musicais por colocá-los ‘‘nus’’ no palco apoiados apenas em suas vozes e instrumentos. A banda mineira Pato Fu, saudada como uma das boas revelações do pop nacional no começo da década, foi ampliando seus fãs justamente com as apresentações ao vivo.
Por isso, não faltam razões para o quarteto caprichar no show que faz hoje à noite em Belo Horizonte com transmissão ao vivo pela TV para todo o País. ‘‘O show sempre foi a moeda forte do Pato Fu. Sempre vendemos mais discos depois que passávamos pelas cidades. A própria crítica tem recebido os CDs com frieza e elogiado nossos shows’’ - diz, por telefone, a vocalista Fernanda Takai.
O show de hoje na capital mineira dá o tiro de largada para a turnê promocional do álbum Televisão de Cachorro, recém-lançado pelo selo Plug da gravadora BMG. No Paraná, o grupo deve se apresentar entre o final de julho e começo de agosto a partir de um roteiro que inclui Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá e Cascavel.
Televisão de Cachorro é o quarto disco na carreira do grupo. Produzido por Dudu Matore, inclui versões das músicas ‘‘Eu sei’’ da Legião Urbana, ‘‘Nunca Diga’’ do Graforréia Xilarmônica e ‘‘Tempestade’’ do grupo Maskavo Roots - esta com inserção dos riffs de guitarra da canção ‘‘In between days’’ da banda britânica The Cure. Gilberto Gil é lembrado em ‘‘A necrofilia da arte’’, letra de Rubinho Troll feita em cima da melodia de ‘‘Alfômega’’ do compositor baiano.
Fernanda afirma que uma das intenções do grupo foi aproximar a sonoridade do disco das performances ao vivo, o que se evidencia no fato dela cantar a maioria das faixas. ‘‘É uma coisa que vinha gradualmente de disco para disco’’ - diz ela. Comparada muitas vezes à Rita Lee dos anos 60, a vocalista desconversa recusando as supostas influências dos Mutantes no trabalho do grupo, argumento que teria virado um chavão da crítica.
‘‘Essa comparação nunca teve muito sentido’’ - diz. ‘‘Aliás, às vezes esse paralelo se voltava contra o grupo, porque muita gente achava presunção de nossa parte querer soar como os Mutantes. Na verdade, a new wave e o pop dos anos 80 foram mais influentes para o Pato Fu do que a tropicália e os anos 60. Até hoje ouvimos bandas como Talking Heads, B-52’s, Duran Duran, The Cure e Tears for Fears.’’
Televisão de Cachorro foi o disco mais trabalhado pelo quarteto, que ficou quase dois anos preparando o repertório e três meses enfurnado no estúdio. ‘‘Pudemos dar mais acabamento técnico às músicas’’ - conta a vocalista. Esse ‘‘privilégio’’ só foi possível graças à curta temporada de shows do CD anterior Tem Mas Acabou.
Com mais tempo disponível, os integrantes puderam compor à vontade chegando a juntar 22 canções. ‘‘Tivemos que escolher treze para entrar no disco’’ - diz. Mais acústico do que os álbuns anteriores, o novo CD vai na contracorrente da tendência da estação, cuja palavra-de-ordem parece ser a conversão ao techno e às demais batidas eletrônicas.
Fernanda lembra que o Pato Fu ‘‘era totalmente eletrônico em 92’’. ‘‘Fizemos o caminho inverso. Agora que muitas bandas estão aderindo, nós estamos buscando uma sonoridade mais orgânica.’’ É o que o público poderá conferir hoje, a partir de 21 horas, durante o show gratuito que fazem na Praça da Savassi, em Belo Horizonte, com transmissão ao vivo para todo o País pelas TVs Cultura e Educativa.

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