PATO FU E SUAS CANÇÕES POLUÍDAS
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sexta-feira, 13 de abril de 2001
Nelson Sato de Londrina 
É uma tortura chegar até o fim. Mas ela está lá, suspirando no CD, com um delicado arranjo jazzístico para guitarra e bateria. E o Vento Levou..., a 11º música, destaca o vocal frágil de Fernanda Takai na grande e quase única canção despojada do Pato Fu no novo álbum, Ruído Rosa (BMG).
Pato Fu virou refém das estripulias de estúdio. A tentativa de soar pesado e encorpado, deu xabú. A banda inebriou-se com as possibilidade tecnológicas transformando o novo disco em catálogo de efeitinhos de laboratório incluindo timbres de época, extraídos de emuladores de teclados Vintage.
Os excessos culminam com uma versão desastrada de Tolices, a obra-prima do Ira!. Há ainda a regravação de Ando Meio Desligado, dos Mutantes, com os quais os mineiros são comparados desde o registro da cover de Qualquer Bobagem no disco Gol de Quem? (1995).
Além delas, o grupo voltou a gravar uma música dos gaúchos da Graforréia Xilarmônica: Eu foi escolhida para ser a faixa de trabalho, sucedendo nas rádios ao clássico dos Mutantes, incluída na trilha da novela da Globo Um Anjo Caiu do Céu. O álbum foi produzido por Dudu Marote, que também trabalhou nos dois discos anteriores Televisão de Cachorro (1996) e Isopor (1999).
As gravações foram feitas em Belo Horizonte no estúdio caseiro de John, guitarrista e compositor do grupo. Das 13 faixas, oito foram mixadas e masterizadas no estúdio Strong Room, em Londres, pelo produtor Clive Goddard. As únicas participações do disco limitam-se a André Abujamra e Maurício Pereira, que no começo dos anos 80 formavam Os Mulheres Negras e aqui reúnem-se para cantar e tocar na faixa Day After Day, com letra em inglês.
Além de E o Vento Levou..., um outro destaque do repertório é a faixa Sorria, você está sendo Filmado, que também está no final do CD. É interpretada apenas por John com bonitos riffs de guitarra e ecos da Jovem Guarda. Um certo lirismo introspectivo revela-se em Ninguém. Mas o fragrante decalque da banda Radiohead impede o elogio.
Com quase uma década nas costas, Pato Fu tem uma trajetória oscilante alternando discos bons e irregulares. Ruído Rosa chega depois de Isopor, o melhor de todos. O título do novo CD refere-se ao barulho, no limite do irritante, associado a todas as frequências audíveis. Foi apropriado pela banda mineira com intenções irônicas. Mas acabou apenas sublinhando seu teor.


