A patagônia chilena não é logo ali. Nem é qualquer perfil de viajante que procura o fim do mundo. É preciso ter espírito aventureiro e disposição para a maratona de avião, de carro e a pé para conhecer alguns dos atrativos. São mais de 3.300 quilômetros, ou cerca de quatro horas de vôo de Santiago até Punta Arenas, a cidade mais importante da 12 região, que engloba Magallanes e a Patagônia chilena.
Depois, são mais três horas de carro ou ônibus para vencer outros 210 quilômetros de estrada (boa, felizmente) até Puerto Natales, cidade de onde parte a maioria das excursões para a grande atração local, o Parque Nacional Torres del Paine.
Apesar da distância, cada vez mais brasileiros se interessam pelo parque, pelos campos a perder de vista e pelas montanhas cobertas de gelo que dominam a paisagem dos últimos quilômetros da América do Sul. E quem se encher de coragem não vai se arrepender.
Tudo é diferente nessa parte do planeta. No outono e no inverno, o amanhecer demora a chegar - entre abril e setembro, o sol nasce depois das 8h30. O dia tem uma tonalidade azulada, incomum. E a luz acaba cedo, por volta das 18 horas.
As Torres del Paine são o ponto mais famoso do maciço de mesmo nome, um conjunto de montanhas com até 3.050 metros, bicolores. A explicação para as duas cores é geológica: enquanto o ''corpo'' da montanha é de granito puro, os picos são formados por sedimentos de cor mais escura. O nome, que significa torres do azul, foi dado pelos índios aonikenks e tehuelches, nativos da região. No verão, há quem pratique escalada e salte de parapente do paredão.
A partir de Puerto Natales, são 147 quilômetros por uma estrada de terra em bom estado. Depois da primeira hora de viagem, as torres surgem à esquerda e, a partir daí, parecem cada vez maiores. Da entrada do parque em diante, você verá vários guanacos, animais parecidos com as lhamas.
Alguns cuidados
O mais adequado é contratar um guia experiente caso você prefira fazer o passeio a pé - que pode levar mais de um dia. Mas, se pretende acampar em uma das áreas dentro do parque, é bom lembrar que faz muito frio por lá. A temperatura no inverno varia de 2 a 8 graus; e de 3 a 15 graus no verão. É bom também registrar a sua rota na administração do parque.
As agências de turismo costumam fazer roteiros de carro ou van que duram pelo menos seis horas. Pelo caminho sucedem-se lagos de variados tons de azul. À tarde, a pedida é parar para fazer um piquenique. O camping Pehoe, à margem do lago de mesmo nome, tem mesas e banheiro, além da área para montagem de barracas e de um restaurante que só funciona no verão.
É hora de continuar até o início da trilha que leva ao Lago Grey. Essa parte tem de ser feita a pé, e o trecho de cerca de 500 metros às margens do lago é o mais difícil, graças ao solo instável. Icebergs dentro do lago enfeitam o caminho. Do outro lado, sobe-se um pequeno morro e, 15 minutos depois, surge o imponente Glaciar Grey.
O gigantesco bloco de gelo tem altura entre 35 e 70 metros, mas já sofre os efeitos do aquecimento global - perdeu dois quilômetros de extensão nos últimos anos.
Hotel Remota
Da arquitetura aos serviços, o Hotel Remota é impecável. A construção é discreta e faz referência às estâncias do sul do Chile. Os acabamentos são rústicos, inclusive nos 72 quartos. Boa parte das verduras e dos queijos servidos é produzida por lá - destaque para o carpaccio de guanaco. O hotel tem pacotes de três noites a partir de US$ 990 (R$ 1.947,33) por pessoa em apartamento duplo. Informações: (00--56-61) 414-040; www.remota.cl. (M.N./Agência Estado)

SERVIÇO
- Parque Nacional Torres del Paine: (00-56-61) 69-1931

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