Passos exóticos no deserto
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segunda-feira, 25 de março de 2002
Zeca Corrêa Leite Equipe da Folha 
Curitiba - Prepare-se. O Momix, uma das mais importantes companhias de balé contemporâneo do mundo está chegando a Curitiba para dois dias de espetáculos. Hoje e amanhã a trupe apresenta Opus Cactus, e transforma o palco do Guairão, à custa de luzes e sombras, num autêntico deserto americano. Mais precisamente do Arizona. No centro um cactus Saguaru centraliza e batisma a cena. Não é uma planta copiada à exatidão de como a gente a vê, mas é o produto da visão do criador mais parece um bicho cheio de patas.
O símbolo dá vazão à criatividade de Moses Pendleton, diretor e fundador da companhia. Tomando como mote as areias e a solidão do lugar, o coreógrafo criou um bailado repleto de visões alucinógenas, onde a fauna e a flora dividem a atenção da platéia ao som de Bach, Brian Eno, Dead Can Dance, músicas nativas americanas e aborígenes australianas. Cactus gigantescos, flores exóticas, pássaros e serpentes são os habitantes desse lugar mágico.
É um passeio pelo jardim botânico do deserto, explicou Pendleton, quando chegou ao Rio de Janeiro. A temporada no Municipal foi das mais disputadas pelos cariocas os organizadores tiveram que abrir quatro sessões extras, sendo que duas numa única tarde. A decisão foi tomada antes que o Momix subisse ao palco para sua estréia.
Segundo o diretor artístico da companhia a fantasia e a alucinação que comanda o espetáculo são baseadas na minha experiência de andar milhas e milhas sozinho na aridez. Minha brincadeira estética foi animar o inanimado, dando vida a tudo que existe no deserto. Durante a fase de elaboração do espetáculo, Pendleton internou-se na região e manteve uma espécie de ritual: tomava o café da manhã lendo Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. Repleto do mundo fantástico encerrado no livro, saía para o deserto.
Dez bailarinos especializados em balé clássico, dança moderna e ginástica são os responsáveis por povoar o deserto com as figuras estranhas. A iluminação de Pendleton, Joshua Starbuck e John Finen é componente decisivo na somatória de plasticidade, magia, ilusionismo e cores que levam o público ao delírio. A crítica do New York Post não usou de meio-termo: É o melhor momento da carreira do Momix. Brilhante.
Para uma companhia que há 21 anos vem recebendo aplausos acalorados, onde os bailarinos praticamente voam no palco, desafiando a lei da gravidade, um elogio desses faz de Opus Cactus um dos espetáculos mais esperados neste início de ano que promete, na dança, outros grandes acontecimentos. A turnê brasileira do Momix termina aqui, o que torna esta visita um compromisso obrigatório para aqueles que gostam da arte em seu momento de plenitude.
Serviço: Momix Dance Theatre apresenta Opus Cactus, hoje e amanhã no Guairão, às 21 horas. Ingressos a R$ 55,00 (platéia), R$ 45,00 (primeiro balcão), R$ 35,00 (segundo balcão).


