A sonoridade bucólica da viola impressionou o compositor Marco Antonio Vilalba, que encontrou no instrumento a base ideal para encaixar a voz intimista. Conhecido como Passoca, o músico se tornou um violeiro com características urbanas. Preocupado com o desconhecimento das novas gerações em relação à música de origem rural, Passoca formulou o show ‘‘Breve História da Música Caipira’’, que apresenta hoje em Londrina.
A ligação de Passoca com o Paraná tem, como interlocutor, Arrigo Barnabé. Ambos se conheceram em São Paulo, a amizade estreitou e Passoca acabou participando dos principais discos de Arrigo, como ‘‘Clara Crocodilo’’ e ‘‘Tubarões Voadores’’. Recentemente, produziu a versão de ‘‘Clara Crocodilo’’ ao vivo com orquestra.
Esta será a primeira vez que Passoca se apresenta em Londrina. Pelo convívio com Arrigo Barnabé, a expectativa é grande. Com voz e viola, Passoca vai interpretar clássicos da música caipira como ‘‘Viola Quebrada’’ (Mário de Andrade/Ary Kerner), ‘‘Chuá Chuᒒ (Marquez Porto/Pedro de Sá/Pereira), ‘‘Índia’’ (J. Flores/Zé Fortuna) e outros.
‘‘Sou um violeiro que vem da cidade. Eu sou urbano mas me expresso na viola, os meus temas estão impregnados de cidade. Me identifico com essa sonoridade talvez pela minha forma intimista de cantar’’, comenta o instrumentista.
Mais do que compositor, Passoca baixa em Londrina como intérprete, atividade que o atrai desde menino. A interpretação fala alto na carreira – o último disco lançado pelo violeiro traz inéditos de Adoniran Barbosa –, e daí para reunir um repertório que sintetize a música caipira foi um pulo.
‘‘Eu percebi que havia uma desinformação em relação à música que se chama de caipira. Com as duplas sertanejas, as pessoas se ‘descaipirizaram’, pois a temática é romântica e o instrumental lembra Roberto Carlos. Então eu resolvi cantar alguns autores de outras épocas para ressaltar isso’’, acentua. O músico pretende lembrar autores que compõem o tronco principal da música caipira, que se divide em outros estilos.
Passoca faz parte de uma geração que vem aprimorando a viola, ressaltando o instrumento como solista e ampliando seu leque de atuação. Dessa turma fazem parte violeiros como Roberto Corrêa, Paulo Freire, Braz da Viola, Pereira da Viola e outros.
‘‘Os filhos da classe média tiveram uma forma mais séria de pegar o instrumento. Eles dignificaram e aprimoraram a viola. O Roberto Corrêa foi buscar a corda certa, o som certo. Hoje você vê muita gente tocando, isso revigora. E o público gosta muito’’, afirma.
O disco ‘‘Breve História da Música Caipira’’ é um resultado deste processo. Com voz econômica e ambientação campestre, o CD traz um acabamento cuidadoso, reforçado pelas participações de músicos como Swami Jr (violão de 7 cordas), Paulo Freire (viola) e Capenga Ventura (violão de 12 cordas). O CD é independente e será vendido durante o show.
•Breve História da Música Caipira – Show de voz e viola com Passoca. Hoje, às 21 horas, no Cine-teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), em Londrina. Ingressos no local a R$ 10,00 e R$ 5,00.

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