Em seus momentos finais, ''Passione'', da Globo, revela-se uma tentativa de Silvio de Abreu de integrar dois gêneros que ele já mostrou conhecer muito bem: a comédia e o suspense. O sucesso de suas novelas cômicas nos anos 80, como ''Guerra dos Sexos'', de 1983, e ''Cambalacho'', exibida em 1986, serviram para lhe garantir um lugar de destaque entre os autores globais.
Silvio se sentia muito confortável com o êxito de suas tramas às sete da noite. Tanto que relutou em ir para o horário mais nobre da emissora. A incursão pelo suspense policial do autor tem seu melhor exemplo na engenhosa novela ''A Próxima Vítima'', de 1995.
Se em meados dos anos 90, o país inteiro se perguntava quem era o ''serial killer'' do Opala preto, atualmente, a curiosidade para saber quem é o assassino de Saulo, de Werner Schuneman, não causa comoção alguma. Enquanto o núcleo cômico de Irene Ravache, Francisco Cuoco, Bruno Gagliasso e Gabriela Duarte se mostrava interessante, a vida na mansão Gouveia seguia sem graça.
Com a chegada dos estrangeiros, vieram as coincidências familiares. A impressão é de que nesta novela qualquer questão poderia ser resolvida com o surgimento de um parentesco entre os personagens. O autor unificou as tramas principais e secundárias. Por semanas, o mistério que envolvia todos os núcleos era em relação à árvore genealógica.
Por fim, o autor sinalizou que poderia ter algo de realmente instigante com o segredo envolvendo o personagem de Marcelo Antony. Na trama, este segredo foi o responsável pelo fim de seu casamento com Diana, a desenxabida mocinha de Carolina Dieckmann, e por várias cenas carregadas de culpa e revolta. Não existia patologia. Gerson apenas gosta de pornografia virtual. Recentemente, a morte de Totó, de Tony Ramos, deu agilidade aos capítulos. Tanto é que a grande questão para quem acompanha a trama era se o italiano estava vivo ou morto, mistério que foi resolvido no último sábado. A morte de Saulo, que se encaminhava para ser o principal mistério de ''Passione'', se perdeu em meio às confusões familiares e aos crimes menores do folhetim, como a do advogado Noronha, de Rodrigo dos Santos, e da secretária Myrna, de Kate Lyra.

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