‘‘Marketeiros’’ costumam se esforçar para encontrar palavras que traduzam seu produto. Às vezes uma simples expressão é perfeita. O ‘‘tesouro escondido do México’’, slogan de Campeche, no sul do país, cai como uma luva. A campanha da Secretaria de Turismo mostra bem o espírito da região – perto de Quintanna Roo onde está a famosa Cancún, e longe dos pacotes turísticos.
Com 57 mil quilômetros quadrados e 650 mil habitantes, Campeche é um Estado escondido. Não só do mundo, mas também dos próprios mexicanos. Mereceu até uma edição do regional ‘‘Guia México Desconocido’’, sobre destinos que os conterrâneos não costumam visitar. Ir a Campeche é assim. É conhecer um país fora do circuito tradicional. Um México camponês, de gente simples e hospitaleira.
Um lugar que preserva seus costumes. De colorido casario, a capital, de mesmo nome do Estado, foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1999. Foi tão cobiçada por piratas que teve de ser cercada de muralhas. Hoje será parada de outro tipo de aventureiro. O trem Expresso Maia levará a uma viagem pelo mundo da antiga civilização. Ali os maias ergueram cidades antes dos espanhóis. Entre elas, Edzná, a apenas 75 km, virou programa obrigatório na região.
Falta de segurança, condomínios fechados. Uma solução moderna para um problema atual. Nem tanto. No século 17, a pequena vila de San Francisco de Campeche já tinha apelado para essa saída. Preocupada com os frequentes ataques de piratas, a Coroa Espanhola mandou cercá-la com uma muralha. Sete enormes ‘‘guaritas’’, os baluartes, cuidavam da vigilância. As Portas da Terra e do Mar permitiam a saída do povoado. Sobre as colinas, dois fortes mantinham o inimigo à distância: San Miguel ao sul e San José no lado oposto.
O tempo passou, e os corsários deixaram de ser uma ameaça. Preocupado com a modernidade, em 1893, o governo começou a derrubar as enormes paredes de pedra. Mas, para o bem da História, a destruição não foi completa. Visto do alto, o Centro Histórico ainda forma um hexágono. Do avião, é possível ver o estilo e o colorido das casas certinhos dentro do desenho.
Dois pedaços da muralha, as portas e os sete baluartes continuam lá. Alguns abrigam departamentos da Secretaria de Turismo, como o Museu da Escultura Maia no Baluarte de la Soledad e o Jardim Botânico Xmuch-Haltún no Baluarte de Santiago. O Museu Gráfico da Cidade funciona no primeiro a ser erguido, o de San Carlos, em 1686.
Os fortes, além de valerem a visita por sua estrutura, também mantém atrações turísticas internas. No de San Miguel, fica o Museu de Arqueologia Maia, onde se conhece bastante dos sítios arqueológicos do Estado. Estão ali máscaras de jade de Calakmul, cerâmicas e explicações sobre a arquitetura da antiga civilização. Ao norte, o Forte de San José, uma construção militar do século 18, abriga caravelas, armas e réplicas de navios piratas. É o Museu de Barcos e Armas.

mockup