Produzir um disco independente já foi sinônimo de heroísmo no Brasil. Hoje em dia tornou-se prática quase corriqueira graças ao acesso às tecnologias de estúdio, como demonstra o processo de gravação do CD acústico ''Rock, Blues & Ballads'', primeiro trabalho solo do cantor e guitarrista londrinense Luke De Held.
O CD foi gravado, mixado e masterizado dentro de seu quarto ao longo de 60 dias. O lançamento é hoje, às 22h30, no bar Valentino. O repertório traz as 12 canções de seu álbum - majoritariamente roqueiras - incluindo temas dos Beatles, Eric Clapton, Guns N' Roses, Stevie Ray Vaughan, Bad Company, Lynyrd Skynyrd, U2, Oasis, The Verve e Bob Marley.
Diferente do formato acústico do CD, o show será de rock'n'roll energético com presença no palco de Sara Delallo (contrabaixo), Eliezer Botelho Jr. (guitarra) e Vinícius Máximo (bateria); além dos músicos convidados Kiko Jozzolino (Acústico Blues Trio), Gabriela Catai (Cluster Sisters), Marcos Vinicius Martins (Los Cabrones), Giuliano (Acústico Blues Trio e Luke De Held Trio) e Marcelo Chiappina (Retrovisor, de Apucarana-PR).
''Talvez, durante as comemorações do aniversário de Londrina em dezembro, eu monte um show acústico para reproduzir nota por nota a sonoridade do disco convidando violonistas para tocar comigo'', avisa ele. Consciente da banalização do formato desplugado, Luke afirma que o trabalho foge ''dos pastiches comerciais que se ouve por aí''.
O músico conta que utilizou técnicas de gravação da década de 70, preocupando-se com detalhes minuciosos para obter as condições ideais para a captação do áudio. ''Tive total liberdade criativa. Peguei clássicos do rock e repaginei tudo com novos arranjos. Ficou suave, bem easy listening. Descartei muita coisa para atingir a sonoridade que eu queria. Só fiquei com a cereja do bolo'', diz.
E continua: ''Em algumas faixas, como 'Bittersweet Symphony' do The Verve, usei 5 camadas de violões sobrepostos. Fiz experiências com a distância do microfone, o ângulo em relação ao violão. Gravei, por exemplo, em frente a um armário e percebi que isso reforçava os médios. Aí coloquei uma toalha em cima do armário para abafá-los. Quem prestar atenção, vai notar uma semalhença de sonoridade do meu disco com os dois primeiros álbuns solos do Paul McCartney ('McCartney' e 'Rain'). Tem uma vibe parecida'', salienta.
Ele assinala que ''a união da tecnologia com a criatividade permite a realização de qualquer coisa''. ''É só arregaçar a manga e fazer, não precisa de um grande estúdio. Basta querer e levantar as ferramentas adequadas'', explica. Luke já gravou um CD anteriormente com a banda Rockbrothers, formada em 1994 e que está temporariamente inativa.
Sua carreira nos palcos foi iniciada em 1985 com a banda Santo Presépio, da qual fazia parte o cantor Ivo Pessoa. Em seguida, mudou-se para Curitiba onde integrou as bandas A Chave do Som e Crackerjack. Voltou a Londrina no início da década de 90. Atualmente, além do trabalho solo, tem se apresentado com frequência com a Luke De Held Trio.
Contrariando visões pessimistas bastante disseminadas na cidade, ele acredita que o rock vive um momento fértil em Londrina. ''Há bandas autorais de grande qualidade, como Mescalha, Hocus Pocus, Monkberry e Terra Celta. Além disso, o domínio sertanejo é aparente. Vejo várias casas na noite abrindo espaço para as bandas tocarem. Há ainda o festival Demo Sul, do Marcelo Domingues, e o evento Rock Nova Cena, do Sapão. O rock está se emancipando ao lado do blues, que também cresceu com os festivais realizados pelo Kiko Jozzolino e no Menina Bar. O cenário está mais forte aqui do que em Curitiba'', assinala.
O dinheiro obtido com a venda da primeira tiragem de seu CD, de 600 cópias, será doado para a ONG S.O.S Vida Animal, da qual o músico é um colaborador.
Serviço:
Show de lançamento do CD solo de Luke De Held
Quando: hoje às 22h30
Onde: Bar Valentino (Av. Pref. Faria Lima, 486), em Londrina
Ingressos: R$ 15
Informações: (43) 3348-0791

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