Curitiba - Uma área de 85 hectares, entre a antiga Estrada da Graciosa e as margens da Represa do Iraí, tendo a vista da Serra do Mar ao fundo. É este o cenário que vai abrigar de 9 de dezembro, o Parque da Ciência. A mais nova obra pomposa do governador Jaime Lerner (PFL), construída em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, não podia estar em local mais apropriado ao seu objetivo: ensinar, de forma didática e descontraída, conhecimentos sobre ciências, tecnologia, arte, cultura e meio ambiente.
''Será o nosso Parc La Villette caboclo'', resumiu o governador, numa alusão ao parque de ciências existente em Paris. Até ontem, no entanto, o local lembrava apenas um imenso canteiro de obras, onde cerca de 2 mil operários brigam contra o tempo para finalizar as instalações até a inauguração. Ainda assim, durante visita para a imprensa conhecer detalhes do projeto, o governador não conseguia esconder seu entusiasmo.
A idéia do parque partiu da necessidade de se reutilizar a área ocupada pelo antigo Parque Castelo Branco. Voltado para exposições e eventos agropecuários, o parque foi fechado há dois anos porque oferecia riscos de contaminação à Represa do Iraí, usada pela Sanepar para captação de água para a região de Curitiba. ''Surgiu a idéia de reciclagem da área, fazendo um parque destinado ao conhecimento, com uma visão de cidade e de campo e que explorasse as ciências e tecnologia do dia-a-dia'', diz Lerner.
Concluídas as obras, serão 40 mil metros quadrados de construções divididas em seis áreas Exploratório, Mundo do Campo, Circo da Ciência, Palco do Paraná, Centro de Referência e Documentação e Praça das Artes. Mas todo esse complexo não deve estar pronto para a inauguração. O mais provável é que apenas as três primeiras áreas estejam concluídas e, se o clima cooperar, também o Palco do Paraná.
Ao chegar ao parque, a primeira atração é o Exploratório. Formado por 12 pavilhões, o espaço faz uma caminhada pelos conhecimentos científicos e tecnológicos do ensino básico e fundamental. Inicia com informações sobre a formação do universo para desembocar, através de uma rua ladrilhada como na cantiga em um espaço urbano. É a deixa para falar sobre cidade e seus problemas, como água e energia.
No caminho, o visitante poderá ver desde uma simulação de usina hidrelétrica, passando por uma reprodução da Rua XV de Curitiba com uma estátua do poeta Paulo Leminski sentado em um banco, e até um planetário indígena, que mostra as constelações com nomes da fauna e flora brasileira, segundo a cultura guarani.
O Palco do Paraná promete ser uma das atrações mais visitadas. Trata-se de uma maquete do estado do Paraná, com 8 mil metros quadrados, em alto relevo, que mostra em detalhes a hidrografia, as cidades, o relevo e o solo paranaense. A maquete, aliás, parece ser o projeto preferido de Lerner no parque. ''Um aluno que passar uma hora na maquete vai ver os acidentes geográficos, andar nos rios, cascatas. Ele vai aprender mais do que quatro anos de escola'', explica.
O Mundo do Campo, com 8 hectares, mostra, na prática, o cultivo de frutas, grãos, plantas ornamentais e medicinais e a criação de animais. Também serão mostrados exemplos de agricultra orgânica e as vantagens do plantio ecologicamente correto. Já o Circo da Ciência vai permitir que conhecimentos adquiridos no passeio sejam colocados em prática, sempre permeado com o uso de técnicas circenses. O Centro de Referência e Documentação, por sua vez, vai reunir o acervo de documentos sobre as diversas instituições que desenvolvem ciências e tecnologia no Paraná.
Com essa abordagem, o parque se destina especialmente a estudantes do ensino fundamental e médio, mas turistas e adultos também fazem parte do público alvo. Antes mesmo de ser inaugurado, já estão sendo agendadas visitas para escolas e a expectativa é que até o final do próximo ano 2 milhões dos alunos da rede pública visitem o local. O projeto prevê também estágio de alunos de curso superior, que trabalharão como monitores nas visitas. Para isso, o governo fechou convênios com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) e Unicemp, universidade do Grupo Positivo.
O investimento no parque é de R$ 12 milhões. São recursos do Fundo Estadual do Meio Ambiente, Fundo de Desenvolvimento Urbano (FDU), Fundo de Incentivo às Atividades Culturais (Lei Rouanet) e de instituições governamentais. Para administrar o complexo foi criada a Fundação Parque da Ciência, composta pelos 20 órgãos que já contribuíram para a construção do parque.
Para entrar no parque não será cobrado ingresso. Mas o governador garante que o projeto foi concebido para se auto-sustentar. As empresas envolvidas, como a Copel, Sanepar e Petrobras, por exemplo, darão contribuição financeira mensalmente. Outro objetivo é permitir o crescimento e mudança constante no parque, criando novas seções e atrações.

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