Passeio até o Japão
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segunda-feira, 25 de junho de 2018
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 

Não foi preciso ir ao outro lado do mundo para descobrir o Japão. O "ingresso" para essa viagem foi a própria sala de aula das escolas públicas municipais que se envolveram no projeto "Imin 110 nas escolas".
A iniciativa propõe atividades que levem as crianças a conhecerem um pouco dos valores e costumes do povo oriental, aproveitando as comemorações dos 110 anos da imigração japonesa no Brasil.
Para dar início a essa jornada, a professora Luzia Mitsue Yamashita Deliberador ministrou uma palestra de formação com cerca de 140 professores das bibliotecas de 87 escolas da rede municipal.
Ela transmitiu aos educadores as principais características do Japão, além de informações sobre o início do processo de imigração para o Brasil e a influência dos japoneses nos costumes e na economia brasileira.
Nas escolas, foram realizadas apresentações artísticas dos grupos de dança da Acrol (Associação Cultural e Recreativa de Okinawa Londrina) e Acel (Associação Cultural e Esportiva de Londrina), parceiras do projeto. O artesão Origamito San foi responsável em levar um pouco da tradição e cultura do origami, a arte da dobradura de papel.

As turmas de 4º e 5º anos foram convidadas a escrever uma redação com o tema "O Japão que inspira". Cerca de 4,2 mil estudantes de 28 escolas enviaram textos. Os trabalhos foram pré-selecionados pelas próprias escolas e enviados à comissão julgadora da Expo Japão 2018, que promoveu a premiação no início do mês.
"Entre tantas atitudes inspiradoras, o que mais me chama a atenção é a gratidão, pois os japoneses cuidam e preservam os lugares e objetos porque são gratos por quem os fez", escreveu Ana Beatriz Segabinazzi, do 5° ano da Escola Municipal Melvin Jones (Jardim Hedy).
A redação da estudante ficou entre as 10 premiadas. "Saber mais sobre a cultura de um país é uma forma da gente aprender também a respeitar as diferenças", diz ela, que junto com os demais alunos do 3°, 4° e 5° ano matutino, fez um verdadeiro "passeio" pela terra do sol nascente nas últimas semanas.
Além da produção de texto, os professores da Melvin Jones aprofundaram os conteúdos relativos à história, aspectos geográficos, economia e cultura do Japão. Montaram uma exposição com fotos e objetos típicos e proporcionaram uma videoaula com a professora Soraya Cristina de Aquino Ogawa que está morando naquele país.
"Foi interessante porque ela teve uma abordagem pedagógica e os alunos ficaram admirados com a disciplina nas escolas de lá. Foram várias atividades que os ajudaram a entender essa cultura e o mais importante, a criarem empatia", comenta a diretora Aida Cristina Campana.

Cláudio Nonaca, que registrou imagens do Imin 100 em 2008 em Londrina e região, e as reuniu no livro "Obrigada por tudo!", também foi convidado a conversar com os alunos para reforçar as tradições. Outra participação especial foi do aluno Daniel Kenichi Mori, do 4° ano. Ele cantou e dançou para os colegas da escola.
"Eu apresentei o odori (dança tradicional japonesa) com leque e espada e meus amigos acharam muito legal. Algumas coisas aprendi na escola, mas meus pais e avós me ensinam muito também", diz.
Toda essa "aventura" pelo Japão, deixou a aluna Laura Elena Kodama Calão, do 3° ano, com mais vontade ainda de conhecer o outro lado do mundo. "Minha mãe e minha tia moraram lá e elas me ajudaram a trazer alguns objetos para a exposição. Tinha muita coisa que eu não conhecia", conta.
A professora regente do projeto Palavras Andantes e JEPP (Jovens Empreendedores) na escola, Grasieli Coelho, acrescenta que as atividades promoveram nos estudantes o sentimento de valorização cultural e que a ideia é se aprofundar também em outras culturas.
Para a professora Yamashita Deliberador, a contribuição do projeto é para a formação cidadã. "Temos que investir nas crianças para mudar o país. Segundo o consulado, o Brasil é o país que mais recebeu japoneses e descendentes", aponta.
Na Escola Municipal José Garcia Villar, no Jardim Panorama, a professora Kelly Djane de Almeida foi a responsável por trabalhar o conteúdo com os alunos."Eles receberam o projeto de braços abertos e querem continuar falando do assunto", garante.
Ela conta que os estudantes viram uma apresentação de bon odori e aprenderam os movimentos da dança folclórica japonesa, que homenageia os antepassados. O próximo passo será realizar um trabalho com um origamista e adianta que as crianças já estão ansiosas para a visita dele.
A oficina de origamis também está programada na Escola Municipal Reverendo Odilon Gonçalves Nocetti (Jardim do Sol), além de atividades ligadas à culinária típica para as crianças.
Na avaliação da professora da biblioteca, Janete Tobias Lima, o conteúdo sobre a influência dos japoneses no Norte do Paraná deveria ser parte do currículo obrigatório das escolas.
Ela cita que, além da redação, os cerca de 300 alunos, do pré até o 5º ano, participaram também de atividades como pintura de animes desenhos japoneses -, confecção de bandeiras, e contato com artigos tradicionais, como o kimono.
O projeto "Imin 110 nas escolas" foi idealizado pelo vereador Eduardo Tominaga (DEM) e se estenderá até o final do ano. Segundo a assessora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Carla Cordeiro, para o segundo semestre está sendo viabilizado a continuação do projeto com um novo concurso de redação para alunos de 1°, 2° e 3° ano.
A maior comunidade japonesa fora do país de origem vive hoje no Brasil, com 1,9 milhão de pessoas, e o Paraná é considerado o segundo Estado com o maior número de nikkeis. São aproximadamente 150 mil descendentes, número que segundo a Embaixada do Japão no Brasil, não para de crescer. (Colaborou Amanda de Santa, especial para a FOLHA)


