Passeio ao mundo dos sonhos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Os sonhos são maiores que as pessoas. Alturas vertiginosas, que o diretor Philippe Genty, um dos mais importantes pesquisadores e criadores do teatro de animação, alcança em espetáculos como ''La Fin des Terres''.
Pela primeira vez no Brasil, a companhia francesa estréia hoje no 40º Festival Internacional de Londrina (Filo), às 20h30, no Teatro Ouro Verde, com reapresentações até sábado.
Para alguns críticos, Genty é um dramaturgo e bonequeiro que se repete em suas criações, mas outros acreditam ser essa uma das características mais fortes do seu trabalho autoral, que começou a circular pelo mundo, desde 1961.
Em 1975, depois de ter colaborado com a dançarina Mary Underwood, ele passou a construir os seus sonhos no palco protagonizados por bonecos, atores, dança e circo.
Além de se tornar mulher de Genty, Underwood é a grande responsável pela mudança de trajetória da companhia. Ao conhecê-la, o diretor, que somente trabalhava com bonecos, passou a incluir coreografias e atores nas montagens.
''La Fin des Terres'' leva o público ao topo dos sonhos e fobias, um mundo povoado por criaturas bizarras, emoções secretas e histórias escondidas. Um trabalho difícil de descrever porque é uma experiência particular e diferente para cada pessoa.
O espetáculo foi escrito por Genty, que atualmente não trabalha mais como ator-manipulador, sendo comparado, muitas vezes, a um pintor que consegue reproduzir as imagens dos seus sonhos e pesadelos e que se aproximam do inconsciente.
Um processo de trabalho que começa com o texto e que, depois, o diretor propõe um tema para o elenco, mostrando algumas imagens para que os artistas também improvisem, dando uma contribuição para a montagem.
''Ele quer ver se vamos por outro caminho e se nossa proposta é mais forte do que a ele tem na cabeça'', explica o bailarino francês Pierrik Malebranche, um dos integrantes do elenco da companhia que ainda reúne artistas tchecos, argentinos, australianos e belgas.
Malebranche destaca que o espetáculo desperta diferentes reações em cada lugar em que se apresenta. Ele conta que na Europa, marionetes de insetos despertaram a idéia de pesadelos. Entre o público japonês a apresentação despertou risos.
''As temáticas trabalhados por Genty são os sentimentos humanos, a alegria, as lembranças da infância, os traumas. Não falam sobre uma vida em particular, mas as associações dependem muito de quem faz a leitura'', afirma o bailarino e coreógrafo argentino Roland Van Loor que, há um ano e meio, está na companhia.
Com bonecos que ultrapassam a altura dos atores que, além da manipulação contracenam com eles, a companhia de Genty é uma das cerejas do bolo desta edição comemorativa do festival.


