Sexto dia de viagem: uma chegada digna de cinema. O mar, de tom azulado, e um muro altíssimo como pano de fundo que até parecia um castelo. Era mais do que isso. Tratava-se de apenas um pedaço dos 4,5 quilômetros de muralhas medievais que circundam a cidade antiga da magnífica ilha de Rodes, a maior do arquipélago do Dodecaneso, no Mar Egeu, com 14 mil km2.
A construção desse patrimônio medieval está ligada à época em que Rodes foi proclamada sede da Ordem dos Cavaleiros de São João, por volta de 1309. Quando os cavaleiros chegaram lá só havia vestígios da cidade antiga. Decidiram, então, reconstruí-la. Edifícios e muros foram levantados a fim de dividir o local em duas partes: Jora, área residencial, e Colakio, coração comercial.
Em Colakio, centro da vida pública, encontram-se as principais atrações turísticas. O giro pela era medieval pode começar pela visita às ruínas do Templo de Afrodite, do século 3 a.C., passando pelo Museu Arqueológico de Rodes, em cujo acervo está incluída a escultura da Afrodite de Rodes e, finalmente, atingindo a via principal, a famosa Rua dos Cavaleiros.
Com seis metros de largura e cerca de 500 m de extensão, a rua abriga os quartéis que faziam parte da Ordem dos Cavaleiros de São João – Itália, França, Espanha, Provença –, além das casas do príncipe Djem, de Diomedes de Villaragout, e os restos da Igreja de São João de Colakio.
Ao norte, surge o majestoso Palácio dos Grãos-Mestres, a maior construção da cidade medieval. Erguido no século 14, ele foi restaurado pelos italianos, que o decoraram com pisos de mosaico, estátuas romanas e grandes lustres. Percorrer suas diversas salas é uma deliciosa viagem no tempo.
Outro motivo para visitar a área de Colakio hoje, além das importantes construções, é que lá concentra-se uma infinidade de restaurantes e lojas que vendem desde valiosas obras de arte até simples souvenirs.
Embora não haja nenhum vestígio ou sequer alguma prova concreta de que realmente existiu, reza a lenda que o Colosso de Rodes, uma das sete maravilhas da antiguidade, ficava no porto da cidade. Acredita-se que a imensa estátua em bronze, que media 32 metros de altura, foi construída pelo escultor Jaris de Lindos em homenagem ao deus protetor Hélios. Foram mais de dez anos de árduo trabalho, mas o Colosso de Rodes teria sido destruído por um terremoto em 224 a.C.
Rodes é também o lugar de partida para um passeio inesquecível. A uma hora de lá, no ponto mais elevado da ilha, está a pequena vila de Lindos, que atrai uma legião de visitantes em busca de sua acrópole e da mais bela paisagem daquelas bandas. De um lado, vê-se a Baía de Lindos, pontilhada por barcos, e a praia lotada de guarda-sóis coloridos. Do outro, uma baía fechada, que segundo lendas locais, teria recebido o apóstolo São Paulo em 57 d.C.
Caminhando entre becos estreitos, turistas acotovelam-se para alcançar a escadaria, com cerca de 80 degraus, que levam ao topo da montanha. Lá em cima, a zona arqueológica rende suspiros. É formada por um conjunto de ruínas: um teatro, um estádio e o Templo de Apolo.

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