Passeando pelo cemitério
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de abril de 2002
Marcos Losnak Especial para a Folha 
Pouca gente gosta de encontrar um fantasma pela frente. Quase todo mundo tem medo de dar de cara com uma assombração. Seja de noite ou de dia, é arrepio de todos os lados.
Mas em se tratando de histórias de fantasma e assombração a coisa fica diferente. Mesmo morrendo de medo, há um certo prazer em ouvir histórias de arrepiar os cabelos. Mentiras ou verdades capazes de deixar algumas pessoas com a calça borrada.
Em seu novo livro, Sete Histórias Para Sacudir o Esqueleto, a escritora mineira Angela Lago conta algumas dessas histórias. Grande parte delas, ouviu de parentes do interior de Minas Gerais. Como todo contador de histórias de dar medo, aumentou um ponto aqui outro ali com bom humor. Procedimento natural tratando-se de coisas do outro mundo.
Em Sete Histórias Para Sacudir o Esqueleto estão histórias de casas mal assombradas, caveiras, fantasmas, defuntos, cemitérios e escuridão. Algumas interessantes, outras nem tanto. Coisas que podem ser encontradas em qualquer cidade brasileira. Assuntos correntes em qualquer roda de meninos ou meninas.
Melhor que fazer pessoalmente pic-nic num cemitério em noite de lua cheia é ouvir o depoimento de quem esteve lá. Como é o caso dessa pequena história contada por Angela Lago:
Tia Maria, quando era criança, um dia se atrasou na saída da escola, e na hora em que foi voltar para casa já começava a escurecer. Viu uma outra menina passando pelo cemitério e resolveu cortar caminho, fazendo o mesmo trajeto que ela.
Tratou de apressar o passo até alcançá-la e se explicou:
- Andar sozinha no cemitério me dá um frio na barriga! Será que você se importa se nós formos juntas?
- Claro que não. Eu entendo você - respondeu a outra. - Quando eu estava viva, sentia exatamente a mesma coisa.
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Serviço:
Sete Histórias Para Sacudir o Esqueleto de Angela Lago, Editora Companhia das Letrinhas, 64 páginas, R$ 21,00.


