Passe partout fashion

Para a estilista
iugoslava Helena
Penavski, que
hoje comanda
uma assessoria
de moda e
confecção em
Curitiba, ‘‘hoje
tudo pode ser
refeito’’

Mauro FrassonHelena Penavski: ‘‘Há 25 anos, a moda que as brasileiras usavam na rua estava uma década atrasada’’Simone Mattos

Ela conheceu Coco Chanel, conviveu com a efervescência da moda francesa nos anos 60 e ilustrou muitas páginas e capas da revista francesa Marie Claire, com suas criações em moda, durante dez anos. Hoje, a estilista e modelista iugoslava Helena Penavski vive e trabalha em Curitiba. Muitos dos modelos que desenhou na época estão sendo revividos com sucesso.
‘‘Hoje, tudo pode ser refeito’’, resume. Como exemplo, ela cita os decotes com recortes abaixo dos seios, que valorizam o colo, e as costas nuas. As saias plissadas ou com fendas, as calças mais largas e o drapeado nos decotes também são reinterpretados pela estilista. Há dois anos, ela comanda a assessoria de moda e confecção Passe Partout, que trabalha com encomendas e prêt-à-porter.
A estilista estudou moda na Maison Marie Claire, em Paris, e trabalhou no departamento de moldes da revista entre 1958 e 1968. A sessão era um sucesso entre as francesas. ‘‘Elas adoravam comprar moldes e confeccionar suas próprias roupas’’.
ReproduçãoHelena lembra do quanto a moda brasileira era atrasada há 25 anos, quando desembarcou pela primeira vez em São Paulo. ‘‘Quando desci do avião, eu estava de minissaia e todos me olharam com espanto’’, conta. ‘‘A moda que as brasileiras usavam na rua estava uma década atrasada’’.
O auge na moda francesa da época eram as formas geométricas exploradas pelo estilista Coureges, a ousadia de Ives Saint Laurent, a minissaia ‘‘que todas adotaram’’ e os vestidos sem cintura pronunciada, que davam um toque infantil à mulher.
Quando chegou no Brasil, ela estabeleceu um ateliê na Rua Augusta. ‘‘Não havia nada moderno, tudo era clássico e a moda jovem era muito senhora’’, lembra. Ela conta que não havia desfiles, programas e informação sobre moda na TV. Os costureiros mais famosos eram o Denner e a Madame Rosita. ‘‘Eles também eram muito clássicos’’.
Helena estava acostumada com a vida em Paris, onde conviveu com grandes nomes e assistiu a muitas palestras da grande dama da moda, Coco Chanel. ‘‘Ela ditou um estilo e marcou época’’, resume. Uma das maiores lições que aprendeu com Chanel foi sobre a necessidade de se aperfeiçoar, estudar muito e profissionalizar seu trabalho.
‘‘Coco Chanel era muito estudiosa, trabalhava 15 horas por dia e dizia sempre que nenhum estilista poderia se considerar um bom profissional sem dez ou 15 anos de estudo e trabalho sério’’, conta. Helena critica muitos estilistas brasileiros que copiam modelos vistos no exterior. ‘‘São jovens aprendizes que se auto-intitulam profissionais, mas é preciso estudar muito’’, diz.
Seus estilistas preferidos são Donna Karan, Yves Saint Laurent, Giorgio Armani e o brasileiro Walter Rodrigues. Ela acha que hoje as pessoas estão mais informadas sobre moda no Brasil, já que a TV a cabo, por exemplo, trouxe desfiles diários de cidades da Europa e Nova York. ‘‘É possível sentir uma diferença entre as minhas clientes, que agora já aceitam as propostas de peças mais ousadas’’.
A assessoria de moda e confecção Passe Partout está localizada na Rua Fernando Simas, 95, conjunto 6, fone (041) 225-1349.

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