Passagens pelo cinema
Não é de hoje que Pedro Cardoso mantém um discreto caso de amor com a sétima arte. Com o diretor Jorge Furtado, um dos roteiristas de A Comédia da Vida Privada, Pedro trabalhou no curta A Matadeira e no episódio A Estrada, do longa A Felicidade É. Antes de estrear em Veja Esta Canção, de Cacá Diegues, atuou ainda nos curtas O Primeiro Pecado, de Arthur Fontes, Dente por Dente, de Alice de Andrade, e Os Moradores da Rua Humboldt, de Luciano Moura.
No entanto, reconhecimento de público e crítica só veio mesmo em O Que É Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto. No filme, Pedro interpreta o ex-militante do MR-8, atualmente deputado federal, Fernando Gabeira. O Gabeira é muito bem-humorado. Acho legal o fato de ele ter sido interpretado por um comediante, avalia.
Pedro conta que foi o primeiro a considerar arriscada a decisão do diretor de escalar um novato para encabeçar o elenco de O Que É Isso, Companheiro? Mas ressalva que só aceitou interpretar o papel se não tivesse de recorrer aos rígidos padrões americanos, que insistem em jurar fidelidade aos personagens originais. Eu ficaria ridículo imitando o Gabeira, justifica.
Superado o desafio inicial, Pedro diz que adorou a experiência de trabalhar num longa-metragem. Entre as recordações que guarda dos sets de filmagem, destaca a amizade que fez com Alan Arkin, o ator americano que deu vida ao embaixador Charles Elbrick. Apesar do inglês sofrível de Pedro, os dois se deram muito bem. Talvez por que nenhum de nós entendia o que o outro falava, brinca.
O ator assume um tom sisudo ao ressalvar que os produtores têm de aprender a pagar mais e melhores salários para técnicos e atores. Amor à arte significa viver da arte. Significa ter amor por aquilo que faz e sobreviver daquilo que faz.





