Passado revisitado
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terça-feira, 05 de abril de 2011
Thales de Menezes <br> Folhapress 
São Paulo - O CD duplo ''Dirty Power'' tem um título bem pertinente. É sujo e poderoso. Traz gravações obscuras de dois períodos tenebrosos da vida do Stooges, de Iggy Pop.
Períodos em que seus integrantes não tinham contrato com gravadora nem dinheiro no banco. No caso de Iggy, nem casa para morar.
A banda surgiu no fim dos anos 1960 e lançou dois discos que plantaram muitas das sementes do que seria o punk rock: ''The Stooges'' (1969) e ''Fun House'' (1970).
Álbuns que renderam mais prestígio do que dinheiro a Iggy, Ron Asheton (guitarra), Dave Alexander (baixo) e Scott Asheton (bateria). O pouco arrecadado foi devidamente pulverizado pela banda em quantidades industriais de drogas variadas.
A levada do grupo era tão pesada nessa área que os executivos da gravadora Elektra desistiram de tentar administrar os compromissos, dispensando os caras.
Parte desse material gravado nessa fase conturbada está em ''Dirty Power''. Versões entre o som pesado e um rock mais viajandão, incluindo hits futuros como ''Raw Power'', ''Gimme Danger'' e ''Search and Destroy''.
Meses depois, em Londres, David Bowie pediu a seu agente que contratasse a banda e produziu com ela ''Raw Power'' (1973), considerado um dos álbuns mais nervosos da história do rock.
Não alcança o mesmo nível dos dois primeiros discos (as drogas não deixaram), mas é cruelmente pesado. Por isso, é incrível ver como as versões demo desta nova coletânea ainda podem soar mais poderosas. Toscas, é claro, puro punk rock.
Mas a amizade com Bowie não segurou a onda do Stooges com o empresário. Iggy Pop e James Williamson, guitarrista que tinha entrado na banda em 1971, brigaram tanto com o cara que a banda se viu, rapidamente, outra vez ''desempregada''.
De volta aos Estados Unidos, gravou mais músicas (com Iggy morando de favor no estúdio). Os problemas davam mais combustível ao som explosivo do Stooges. Nasceram pauladas como ''Rubber Legs'', ''Open Up and Bleed'' e ''Wild Love''. São versões cruas, quase registros de ensaios.
Com essas faixas, a coletânea mostra um lado ainda mais rude da banda de Iggy Pop. E ainda traz belos bônus: algumas músicas da fase solo de Iggy, mais material produzido por Bowie, como versões alternativas de ''China Girl'' e ''The Passenger''.
Para quem quer saber por que Iggy Pop é tão idolatrado por gerações de roqueiros, ''Dirty Power'' explica muito.


