Páscoa light com Mr. Bean
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de abril de 2007
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha2 
Excluída a indiscreta e barulhenta obviedade que é '300', o exibidor até que foi delicado com o chamado espírito pascal que ainda resiste mundo afora, apesar de um insistente complô mundial em contrário. Por aqui chegam hoje quatro lançamentos, e nenhum deles é motivo de mal-estar, seja por inconveniência temática, seja por excessos visuais. A idéia foi mesmo proporcionar nas telas uma Páscoa light, e há imagens e temas para todas as faixas, até as mais exigentes.
Há cerca de dez anos, o comediante inglês Rowan Atkinson, mais conhecido como Mr. Bean, utilizou seu popular personagem para realizar em Hollywood um filme insosso. Apesar dos resultados financeiros satisfatórios no circuito mundial, Atkinson sentiu que tinha perdido um pouco a essência de Bean, mais relacionada com o cinema mudo do que com as comediotas familiares americanas.
Como consequência, ele acabou com as aparições públicas daquele apatetado individuo ranzinza, torpe e ingênuo a um só tempo, mais inglês do que chá das cinco, e que tanta hilaridade despertou em seus esquetes televisivos. Agora o personagem reaparece quase vinte anos depois de sua estréia. Mas o temperamental Atkinson já anunciou que é a última vez, e que vai aposentar Bean.
Mais dirigido ao mercado europeu, 'As Férias de Mr. Bean' (confira a programação de cinema na página 2) acompanha o personagem em sua viagem à França. Mais precisamente ao Festival de Cannes: ele ganha a loteria organizada pela igreja que frequenta, e o prêmio consiste em uma filmadora e uma semana na paradisíaca Cote d'Azur.
Com a câmera sempre esbarrando em confusões, no caminho Bean se encontra com o filho de um diretor russo e com a aspirante à atriz Sabine (Emma de Caunes, bela), ambos também a caminho de Cannes. Logo surge em cena um pretensioso e egocêntrico cineasta americano (Willem Dafoe, ótimo), a quem Bean vai causar muita dor de cabeça antes do explosivo final no concorrido e badalado tapete vermelho do festival.
''As Férias de Mr. Bean'' é pura comédia física, embora isto não signifique um elogio constante. O personagem de Atkinson é claramente influenciado por grandes mestres do humor puramente visual, como Buster Keaton, Harold Lloyd e especialmente o M. Hulot de Jacques Tati. Há quem prefira os originais, considerando Bean uma iguaria requentada. Há muitos gags no argumento, alguns poucos muito superiores à maioria - há uma incômoda e irresolvida questão de timing até que seja desencadeado o mecanismo do riso, problema antes do diretor Steve Bendelack do que do personagem.
Para constar: o título original era o ótimo ''French Bean'' (feijão comum), trocado para o burocrático ''Mr. Bean's Holiday''.


