A palavra participação parece ser a que melhor define a nova gestão ambiental em Londrina -um setor que a bem pouco tempo teve sua imagem relacionada ao encândalo AMA-Comurb e parecia relegada às ações heróicas da sociedade civil e seus militantes ecológicos.
O 'ponto de mutação' teve data marcada: a segunda semana de junho de 2001, quando mais de duas mil pessoas participaram da 1 Conferência Municipal do Meio Ambiente, elegendo o Conselho Municipal do Meio Ambiente - que existia desde 1991, mas nunca havia saído do papel.
Formado por 44 entidades, o Consema conta com representantes do Ministério Público, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), universidades, além de ONGs e entidades. A principal pauta desse Conselho é a Agenda 21, uma lista de ações e princípios discutidos na Rio 92, em um compromisso mundial que reuniu 180 países com o objetivo de estabelecer metas para o comportamento de cada nação diante dos seus recursos naturais.
Presidido pelo secretário do Meio Ambiente, padre Dirceu Luiz Fumagalli, o Conselho tem poder deliberativo, podendo avaliar até que ponto o desenvolvimento da cidade é sustentável ou se algumas medidas causam impactos negativos. Entre os principais pontos aprovados nesta agenda, estão estabelecer princípios para uma vida sustentável, gerenciar as ações econômicas e sociais com absoluta subordinação à capacidade de sustentação do ambiente, pesquisar alternativas energéticas conservando a diversidade biológica, fortalecimento dos grupos sociais; proteção e promoção da saúde humana, além da garantia de educação ambiental a toda população. Esses objetivos passaram a integrar a Agenda 21 de Londrina, que insere o município em uma lista de cidades que agem de acordo com as necessidades e exigências de seus recursos naturais.
''O mérito da nossa gestão é compreender que aquilo que era problema agora passa a ser encarado como valor'', diz o secretário municipal do Meio Ambiente, Dirceu Fumagalli. ''O fundo de vale não é problema, ele é valor. As árvores também não representam problemas, elas são fundamentais, são o pulmão de uma cidade, enquanto as bacias hidrográficas são a nossa veia. O grande salto é que no governo Nedson a questão ambiental não se restringe a uma secretaria, ou a um plano, ou a uma concepção. Temos a visão integrada, além da capacidade de diálogo, o que nos proporciona outros espaços'', defende Fumagalli.
Fumagalli lembra que a vontade política de atender às exigências das questões ambientais se traduz em dados concretos: a SEMA teve em 2002 orçamento de R$ 1,5 milhão. Para 2003, foram R$ 3,6 milhões, sendo R$ 2,9 milhões para o projeto de arborização. Entre as ações que devem ajudar a consolidar a política pública de preservação está também a criação do Código Ambiental Municipal que está sendo elaborado.
Junto com a criação do geo-referenciamento por Bacia Hidrográfica (que promete colocar Londrina na vanguarda da gestão ambiental) e a reativação em novas bases do SALVO (Serviço Ambiental Voluntário), estes devem ser os temas para o debate da 2 Conferência Municipal do Meio Ambiente, que deve ocorrer nos dias 7, 8 e 9 de novembro desse ano.

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