Participação em Frankfurt quebra imagem idealizada do País
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Cassiano Elek Machado e Raquel Cozer, Enviados especiais<br>Folhapress 
Frankfurt, Alemanha - O Brasil que encerrou domingo sua participação como país convidado da Feira do Livro de Frankfurt deixou uma imagem bem diferente da sugerida pelo semanário alemão "Die Zeit". Na capa de sua edição de setembro, a revista estampou um papagaio verde, amarelo e azul bicando um marcador de livro.
"Nos últimos dias, foram destruídos muitos clichês e quebrados estereótipos sobre o Brasil, que se mostrou um país angustiado consigo mesmo", disse, na cerimônia de encerramento, o diretor da feira, Juergen Boos.
Com investimento de R$ 18,46 milhões do governo federal, o país levou, sob curadoria de Manuel da Costa Pinto e Antonio Martinelli, um time de 65 autores.
Incluía nomes publicados há décadas na Alemanha e que atraíram público local, como João Ubaldo Ribeiro e Ignácio de Loyola Brandão, e gerações mais jovens, cujos títulos mais recentes apareciam com destaque nas livrarias, como Paulo Lins e Daniel Galera.
Mas os escritores que mais fizeram eco, inclusive na imprensa alemã, foram os que aproveitaram o palanque literário para desabafos políticos. O discurso de abertura de Luiz Ruffato, que dividiu a honra com a imortal Ana Maria Machado, tirou o foco da desistência de Paulo Coelho, que ameaçava se tornar um assunto central.
Ao descrever as mazelas do país, do assassinato de índios à atual superlotação carcerária, a fala foi lembrada em diversas mesas e na imprensa local. "O que estamos tentando não é falar mal, é falar mais", disse a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, quando questionada pelo público se não era negativo um escritor criticar o país no exterior.
Só nos dois últimos dias, quando a feira, voltada a editores, é aberta ao público, as conversas no pavilhão brasileiro ficaram superlotadas. Todo em papelão, o espaço, que custou R$ 4,9 milhões, com cenografia de Daniela Thomas e Felipe Tassara, também recebeu críticas.
No estande de 700 m2 das editoras brasileiras predominaram pequenos editores, com poucas reuniões marcadas. Das 168 editoras presentes no estande, 57 ganharam o espaço expositivo, sem ônus, da Fundação Biblioteca Nacional, em programa que buscava estimular a "bibliodiversidade". Na entrevista coletiva de encerramento, a presidente da Câmara Brasileira do Livro, Karine Pansa, comemorava o aumento de vendas de direitos autorais para o exterior, de R$ 1,1 milhão, em 2010, para R$ 2,6 milhões, em 2012.


