Pequenos executivos que, ao invés de gravata usam uniforme escolar. Com uma agenda cheia de compromissos, as crianças brasileiras estão mais parecidas com workholics.
Espaço nessa rotina para brincadeiras nem pensar, o que pode comprometer a higiene e a saúde mental de quem ainda não sabe o significado da palavra ''estresse''.
O neuropediatra londrinense Efigênio Silvio de Castro Júnior destaca que a neurologia ainda não tem um estudo que comprove que o sucesso futuro possa ser representado pelo período escolar.
''O aprendizado é algo mais complexo. É importante que a criança brinque e que a brincadeira não seja representada por competição. Não é que a criança deve deixar cursos de inglês, por exemplo, mas precisa ser um aprendizado lúdico e não com a responsabilidade de ter sucesso futuro. Aprender é algo diverso e sedimentado com o tempo'', avalia o neuropediatra.
Efigênio afirma ser importante a participação dos pais nas brincadeiras, principalmente com crianças entre um e seis anos de idade, que é uma fase de lapidação da personalidade.
''Já a TV, acredito que temos que disciplinar a frequência das crianças assistem. Ela preocupa porque a linguagem é fragmentada e os pequenos não precisam pensar muito, recebendo tudo pronto. Creio que é importante destacar que a criança é reflexo do que recebe no dia-a-dia. Neurologicamente não tem relação o fato de não brincar, mas psicossocialmente as brincadeiras são importantes'', afirma o neuropediatra.(F.L.)

mockup