Parque terá novas regras para visitação
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2002
Denise Ângelo 
Diversas espécies da fauna e da flora do Parque Estadual de Vila Velha estão ameaçadas justamente pela falta de um planejamento para a exploração turística no local. Segundo a engenheira florestal Sílvia Ziller, quando se define uma área de conservação, é preciso elaborar um plano de manejo, fazendo um zoneamento que indique regras para cada espaço, conforme suas características. Só que Vila Velha nunca teve isso, salienta.
Além da falta de planejamento, Sílvia lembra que à medida em que o espaço urbano cresceu, a procura por áreas como o parque aumentou. E como o arenito é uma rocha muito mole, sensível, é preciso estabelecer regras para a visitação dentro do parque para garantir sua conservação. Essas rochas já tiveram mais de um quilômetro de altura. Hoje têm 50 metros. É preciso conscientizar as pessoas de que isso tudo vai acabar se não adotarmos medidas de preservação, considera.
A flora do parque enfrenta diversos problemas. Os vários incêndios seguidamente registrados no parque podem ter comprometido a diversidade. No ano passado não foi registrado nenhum incêndio, mas entre 1998 e 2000 foram sete ocorrências.
Para piorar a situação, o capim gordura que não é uma espécie nativa, está se espalhando pelo parque. E segundo Sílvia, essa gramínea é altamente inflamável. Quando queima, chega a uma temperatura de aproximadamente 90º, ou seja, 30º a mais do que a vegetação nativa da região. Algumas espécies são resistentes às queimadas quando a temperatura fica na marca dos 60º, mas não aos 90º provocados pelo gordura, diz a engenheira. Além de elevar a temperatura, depois de passado o incêndio, o gordura se espalha pela região atingida.
A queimada, segundo Sílvia, pode ser considerada uma forma natural de renovação da natureza quando acontece com intervalos que variam de oito a 15 anos. Mas quando são anuais ou até mais frequentes, não trazem benefício nenhum à natureza. Ao contrário, só comprometem a diversidade do local.
Um exemplo claro da redução da diversidade da flora do parque são as orquídeas. Um levantamento feito pelo botânico Gert Hatschbah em Vila Velha na década de 70 detectou a presença de 54 espécies de orquídeas no local. De 1997 a 2000, Sílvia também estudou a região, mas só encontrou cinco espécies. A vegetação de campos têm 409 espécies catalogadas na região e a Floresta Araucária abriga 123 espécies.
Outro problema sério encontrado no parque é a invasão de espécies exóticas. Além do capim-gordura, o parque está infestado de pinus, eucaliptos, sinamomos e acácias-negras. Sílvia considera que o mais difícil será erradicar a população de pinus porque como existem reflorestamentos nas áreas de entorno do parque, as sementes acabam sendo levadas pelo vento para a área de preservação. Os estudos que ela fará no local indicarão medidas que devem afetar inclusive as áreas de entorno do parque, para que esse controle seja eficiente. Essas áreas são chamadas de zona de amortecimento, e terão que seguir algumas regras de uso, assim como acontecerá com vários pontos de dentro do parque.


