PARQUE INTEGRA
REDE MUNDIAL DE
ECOSSISTEMAS
Torres del Paine tem cenários cinematográficos e um microclima impressionante
Zilma Santos
Zilma SantosReserva da BiosferaTrilha que leva ao Lago Grey: caminhada silenciosa pelo bosque de carvalhos. Parque foi declarado Reserva da Biosfera há 20 anosBastam apenas algumas curvas, numa estrada de altos e baixos dentro do próprio Parque Nacional, para que o turista saia da neblina e céu cinzento para uma paisagem de sol e céu azul. Não se espante. Apesar de possuir montanhas que se erguem até 3 mil metros de altura, a planície se encontra a menos de 50 metros acima do nível do mar. O relevo cria um microclima acondicionado que permite temperaturas agradáveis em qualquer época do ano. No verão, nos meses de janeiro e fevereiro, por exemplo, a temperatura máxima durante o dia pode chegar a 25ºC, caindo a noite para zero ou até 7ºC negativos. E no inverno (junho e julho) a temperatura pode variar de 12ºC (durante o dia) a 9ºC negativos (a noite).
Por isso, não é raro sair de uma área com a mais intensa cerração e céu nublado para outra onde há sol, e o céu azul faz fundo para a Cordilheira Paine. Declarado Reserva da Biosfera pela Unesco, em 1978, o parque integra uma rede formada por zonas representativas dos principais tipos de ecossistemas do mundo.
Zilma SantosCachoeira do Rio Paine
Quando foi criado em 1959, pelo Ministério da Agricultura do Chile, chamava-se Parque Nacional de Turismo Lago Grey e tinha apenas 4.332 hectares. Dois anos mais tarde, tornou-se Parque Nacional Torres del Paine, com 24.532 hectares. Decretos sucessivos, desapropriações e doações levaram aos 242 mil hectares atuais.
A doação mais significativa foi a do bilianário italiano Guido Monzino, que doou 12 mil hectares de sua estância Rio Paine para o parque. Hoje, parte da sede - o que restou de um incêndio - abriga o Centro de Visitantes. Monzino financiou e dirigiu a primeira subida ao Paine Grande, encabeçada pelos andinistas Joan Bich e Leonardo Carrel.
DivulgaçãoOs guanacos andam em bandos e reagem aos ‘invasores’As torres que dão nome ao parque, na verdade, são três picos: a Torre Sul, com 2.850 metros; a central, com 2.800 metros e a norte, com 2.600 metros. As vistas mais impressionantes, no entanto, são do Paine Grande - uma monumental montanha de 3.050 metros com o cume irregular e largo coberto de gelo - e os Cornos del Paine, com 2.450 metros. As montanhas, visíveis de qualquer parte do parque, emolduram outras belezas como o Salto Chico e Salto Grande (quedas d’água do Rio Paine), as geleiras de Grey, Pingo, Francês e Dickson; os lagos (com suas águas impressionantemente verdes) Pehoe, Nordensjold, Sarmiento, Pingo e Dickson e as transparentes lagoas Amarga e Azul. São os principais cartões-postais do parque.
A vegetação é muito característica, como a tchaura - arbusto baixo com pequenos frutos vermelhos comestíveis de sabor meio amargo - e a mata barrosa, arbusto espinhento que cresce apenas um centímetro por ano. Os tons avermelhados das folhas de três tipos de carvalho dão cor às margens de rios, pequenos bosques e encostas. Servem de abrigo para o ‘‘raiadito’’, um pequeno pássaro negro com frisos vermelhos. A revoada e canto dos ‘‘raiaditos’’ quebram, vez ou outra, a quietude do lugar.
Paisagem na estrada: geloO Parque tem catalogados 105 tipos de aves - corujas, condor, gansos selvagens, águia, flamingos e emas - 25 espécies de mamíferos - raposas, pumas, veados e guanaco - e um tipo de escorpião só encontrado na Lagoa Azul.
Com os guanacos (parente da lhama) o turista deve tomar cuidado. O bicho costuma cuspir nos ‘‘invasores’’ quando se sente ameaçado. Por isso, se um guanaco olhar para você e abaixar as orelhas, é melhor correr.

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