Foz do Iguaçu - Pouco antes de o avião aterrissar no Aeroporto Internacional, a imensidão verde do Parque Nacional do Iguaçu (BR-469, km 18, 0--45-521- 4400; www.cataratasdoiguacu.com.br; entradas entre R$ 1,50 e R$ 18,90) dá as boas-vindas aos visitantes. A visão, do alto, impressiona ainda mais quando sabemos que aquela vastidão representa a última grande concentração de mata atlântica remanescente no Sul do País. A dimensão do parque equivale a 106,6 quilômetros quadrados, dos 433,3 quilômetros quadrados de área total do município. Ele consta em qualquer roteiro turístico que se preze, já que nele estão as Cataratas do Iguaçu.
Desde 2001, o Parque Nacional do Iguaçu passa por um processo de revitalização. ''O parque hoje serve de modelo no processo de revitalização dos parques do Ibama'', comenta o assistente de marketing do local, Jean Jeferson Jareck. Junto com as melhorias veio a instalação do Campo de Desafios Cânion Iguaçu. ''Não se trata só de um turismo de contemplação às cataratas; é possível fazer esportes de aventura por aqui'', completa Jareck. Ele aconselha: quem quiser experimentar todas as atividades de ecoturismo deve destinar um dia e meio da agenda. ''Antes, a permanência em Foz era de um dia; hoje, passou para, pelo menos, três dias. É mais demanda para hotéis e táxis.''
A nova infra-estrutura do parque causa boa impressão nos visitantes. O engenheiro Kall Johnsson, de 34 anos, viajou do Rio para Foz para participar de um congresso. Resolveu aproveitar o pouco tempo livre na cidade para visitar a reserva. ''Vim para cá há 15 anos e esperava encontrar aquele mesmo passeio tradicional às cataratas. Não sabia de toda essa nova estrutura.'' Adepto de esportes desde criança, o engenheiro fez arvorismo, escalada em muro, rappel e rafting. ''Achei a programação bem abrangente.''
Criado em 10 de janeiro de 1939, o Parque Nacional do Iguaçu foi tombado pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade. Além dos esportes de aventura, sua beleza natural é um convite à contemplação, pura e simplesmente, que pode ser feita em caminhadas pelas trilhas ou em passeios em jipes ou ônibus.
A floresta, formada por árvores como canela-guaicá, laranjeira-do-mato, baga-de-morcego, jerivá e rabo-de-bugio, serve de habitat para porcos-da-mata, lontras, pacas, onças-pintadas, tucanos-de-bico-verde e gaviões-pomba-grande, entre tantos outros animais. Alguns deles já se acostumaram à presença humana, como os desinibidos quatis, que andam calmamente entre os visitantes. Só há restrição para alimentá-los.
Principal ponto de visitação do parque, as Cataratas do Iguaçu podem ser apreciadas sob os mais diferentes ângulos. Entre eles, da plataforma, onde o visitante fica cara a cara com a Garganta do Diabo; na sacada do restaurante Porto Canoas; a bordo do elevador panorâmico; ou mesmo no barco do Macuco Safári. Há ainda os sobrevôos às cataratas, feitos de helicóptero, pela empresa Helisul Táxi Aéreo (Rodovia das Cataratas, km 16,5, 0--45- 529-7474; www.helisul.com), com dez minutos de duração.
Compostas por 275 quedas, as cataratas estão cravadas entre o Brasil e a Argentina. Três quartos delas estão no lado argentino, mas do ponto de vista do Brasil, a paisagem é bem melhor. Cientificamente, a formação geológica das Cataratas do Iguaçu data de 120 milhões de anos, numa consequência de erupções vulcânicas. Mas os moradores de Foz costumam passar adiante uma lenda indígena, que dá sua versão à origem das quedas-d'água.
Reza a tal lenda que os índios caingangues, que habitavam as margens do Rio Iguaçu, acreditavam serem governados por M'Boy, o deus serpente, filho de Tupã. O cacique da tribo, Ignobi, teria prometido sua bela filha Naipi a M'Boy, para viver pacificamente com o deus. Só que um bravo guerreiro, Tarobá, se apaixonou por Naipi e, no dia da festa de consagração da bela índia, os dois enamorados fugiram de barco, rio abaixo.
Quando soube da fuga, a serpente ficou furiosa: penetrou as entranhas da terra, retorceu o corpo e provocou a abertura de uma enorme fenda, que formou as cataratas. Por vingança, Naipi foi transformada numa rocha, submetida às águas revoltas, enquanto seu amado virou uma palmeira, condenado a viver na beira do abismo. Lá, serão vigiados eternamente pela serpente, que se instalou numa gruta, debaixo da palmeira. Poético, não?

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