PARQUE DOS DINOSSAUROS - Capital está fora do mapa das grandes excursões
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domingo, 19 de dezembro de 2010
Omar Godoy<BR>Equipe da Folha 
A queda nas vendas de discos aqueceu o mercado de shows nos últimos anos. Uma movimentação que beneficiou o público dos países emergentes, agora incluídos nas rotas das turnês internacionais. O Brasil, por exemplo, nunca recebeu tantos nomes de peso como em 2010. E a próxima temporada promete ser ainda mais agitada, com apresentações já confirmadas de U2, Metallica, Red Hot Chilli Peppers, Coldplay.
Curitiba, no entanto, está perdendo o bonde dessa história. Desde meados da década passada, a cidade saiu do mapa das grandes excursões, que agora passam por capitais antes não atendidas, como Florianópolis, Brasília e até a distante Manaus. Com raras exceções, os únicos atrações do hemisfério norte que hoje passam por aqui são bandas clássicas do rock, que tiveram seu auge nos anos 70 e 80 da década passada.
Só em 2010, os fãs locais viram Scorpions, Twisted Sister, Peter Frampton, Creedence Clearwater Revisited e Nazareth, entre outros menos votados. Para o ano que vem, foram anunciados Iron Maiden e Motorhead. Ou seja: apesar de serem chamados de dinossauros, esses artistas não foram extintos do circuito musical.
Mas por que apenas veteranos consagrados ou em fim de carreira se apresentam na capital? Há quem diga que a ''culpa'' é do público curitibano, conservador e avesso às novidades. Outros chamam a atenção para a falta de visão e ousadia dos produtores. Seja como for, o rock clássico é uma tradição na cidade.
''Não sei se isso é bom ou ruim, mas o pessoal aqui não se anima muito com a música mais alternativa, moderna'', afirma Marcelus dos Santos, vocalista do Motorocker, um dos poucos grupos da cidade que tem plateia cativa e agenda cheia até o fim de 2011. Na ativa há quase 18 anos, a banda encarna, com bom humor, todos os esterótipos do hard rock - da cara de mau às letras festivas.
''Acho que o curitibano é exigente. Filtra muito e só ouve o que já sabe que é bom'', diz Marcelus, um fanático por AC/DC que durante anos ganhou a vida tocando covers do grupo australiano. ''Banda nova é que nem carro feito na China. Pode ser 30% mais barato, mas dá trabalho, não tem peça de reposição para vender. Melhor ficar com um nacional mesmo'', brinca.
Agitador cultural e dono de uma das lojas especializadas mais antigas da capital, Newton Junior lista uma série de fatores que explicam o interesse dos curitibanos pelo hard rock, o heavy metal e congêneres. A começar pelo clima frio. ''Estamos a dez dias do verão e não para de chover. Já é boa uma razão para se vestir de preto'', diverte-se.
Falando sério, Junior, como é mais conhecido, destaca a importância que os ''clubes de rock'' tiveram para a cena, a partir de meados da década de 80. ''Espaços como o Operário e a Sociedade Barriqueiros só tocavam esse tipo de som e ajudaram a formar um público que está aí até hoje'', afirma. ''Além disso, desde 1986, quando surgiu a rádio Estação Primeira, sempre tivemos uma FM de rock'', completa.
Mas a verdade, ele diz, é que a paixão pelos clássicos começa na infância e tem origem hereditária. ''Meu pai e meu tio também são roqueiros. E, na minha loja, os clientes mais novos compram as camisetas das bandas mais antigas. São garotos de 10, 12 anos, que crescem ouvindo Led Zeppelin e Deep Purple com os pais''.


