Parque de Torres del Paine resume a paisagem da região
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terça-feira, 12 de outubro de 2004
Evanildo da Silveira<br> Agência Estado 
Puerto Natales - Antes de o Skorpios zarpar, os passageiros que optarem por uma noite adicional no cruzeiro têm direito a um passeio de um dia ao Parque Nacional Torres del Paine, a 150 quilômetros de Puerto Natales. Com 181 mil hectares, o parque foi declarado Reserva Mundial da Biosfera em 1978. Nele podem ser vistas as três formações paisagísticas características da região de Magalhães, na Patagônia chilena: o pampa, a estepe e o bosque patagão.
A viagem de Puerto Natales até o parque, que recebe cerca de 100 mil turistas por ano, é feita de ônibus, que sai do ancoradouro do Skorpios por volta das 9 horas. Depois de cerca de meia hora de viagem é feita a primeira parada, antes da chegada ao Paine, para uma visita de cerca de uma hora à Cova do Milodonte. Trata-se de um monumento natural composto por três cavernas e um maciço rochoso denominado Cadeira do Diabo.
A cova propriamente dita, a maior atração, é uma caverna com 80 metros de largura, 30 de altura e 200 metros de profundidade. Hoje transformada em ponto turístico, a Cova do Milodonte já teve um interesse científico. Em 1896, lá foram achados restos fossilizados do milodonte (Mylodon darwini), um grande animal herbívoro, extinto provavelmente no final do Pleistoceno, época geológica que se estendeu de 1,8 milhão de anos a 12 mil anos atrás. Na entrada, há uma réplica em tamanho natural do bicho.
Na área da caverna há um pequeno museu, com fotos e textos sobre a Cova do Milodonte. Ali, fica-se sabendo que a caverna foi descoberta por um colono de origem alemã, chamado Herman Eberhard, nome com o qual a toca foi primeiramente batizada. Geograficamente, a área do monumento, que tem 189,55 hectares, está localizada na parte ocidental do Cerro Benitez, a 150 metros de altitude.
Na continuação da viagem até as Torres del Paine, o guia explica algumas características geográficas da região. Dá para saber, por exemplo, que os Andes, cadeia montanhosa de 65 milhões de anos, submergem em Puerto Montt, 2.500 quilômetros ao sul de Santiago. Eles emergem, no entanto, bem mais ao sul, como Andes patagônicos, formando ilhas e fiordes. O maciço do Paine, principal atração do parque, onde estão as três torres e os três cornos, é bem mais jovem. Tem ''apenas'' 13 milhões de anos.
Em dias ensolarados, que não são muito comuns, os seis picos podem ser vistos em todo esplendor. As torres são três maciços rochosos, com o topo meio achatado, próximos uns dos outros. A mais alta tem 2.850 metros de altitude e as outras duas, 2.600. Os três cornos também são maciços rochosos, próximos entre si, mas mais pontiagudos no topo. Medem 2.600, 2.400 e 2.200 metros de altitude.
Animais selvagens andando pelo parque ou nas estâncias as fazendas da Patagônia são outra atração do passeio. Guanacos (há quatro mil deles no Paine), nhandus ave parecida com o avestruz e símbolo da região , raposas e condores podem ser facilmente vistos e fotografados. Já o puma, outro animal que vive na região, é bem mais difícil de ser visto. Só com muita sorte.


