Paris vai ganhar guia americano
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domingo, 26 de abril de 1998
Irwin Arieff Ae-Reuters 
ReproduçãoReferênciaParis é conhecida por suas refeições finas. Tanto os visitantes como os residentes da cidade parecem ter obsessão por vinhos e comidas de qualidadeO guia Michelin que se cuide - o poder popular vem aí. O palco dos restaurantes de Paris está prestes a ser invadido por uma empresa de guias americana que se baseia na opinião dos consumidores normais, ao invés dos críticos profissionais que trabalham sob suas próprias regras secretas.
Já se passaram 200 anos desde a Revolução Francesa. Já está na hora dos jantares em Paris se tornarem democráticos, afirma Tim Zagat, cujos guias já cobrem Londres, bem como 40 cidades dos Estados Unidos e três do Canadá.
Zagat diz que seu novo guia de Paris deve ser lançado em francês em maio e em inglês em junho. Paris é o primeiro de uma série de novos guias que Zagat planeja para capitais internacionais, incluindo Tóquio e Hong Kong - com lançamento marcado para o começo de 1999 - e Sydney, que deve sair perto dos Jogos Olímpicos do ano 2000.
Paris é conhecida por suas refeições finas. Também é um dos principais pontos turísticos mundiais. Mais de 60 milhões de turistas visitam a França todo ano - número superior à população total do país. E todos os visitantes e residentes parecem ter obsessão por vinhos e comidas de qualidade. Muitos visitantes planejam suas estadas de acordo com restaurantes ou regiões conhecidas por sua culinária.
Dúzias de guias mostram os restaurantes parisienses, apesar do setor ser dominado pelo guia vermelho da Michelin, cujos especialistas anônimos têm o poder de destruir ou fazer um lugar apenas dando suas estrelas preciosas.
Zagat, cujo guia de Nova York vendeu mais do que a Bíblia na Big Apple no ano passado, com mais de meio milhão de cópias vendidas e domínio de 90% do mercado, não tem receio quanto ao Michelin. Para ele, uma vez que os consumidores franceses vejam seu produto, muitos vão mudar para o Zagat.
Como os críticos do Michelin, ele diz que sua técnica é completamente anônima, mas pode ter um alcance mais vasto do que um indivíduo ou um time de críticos poderia coordenar.
Nossos funcionários provam muito mais pratos, e nossa edição inicial vai cobrir mais de 700 restaurantes, comparado com os 200 ou mais cobertos pelo Michelin em Paris, ele disse em uma entrevista.
O guia Zagat segue uma fórmula peculiar. Cada restaurante incluído no livro é avaliado separadamente por comida, decoração e serviço, numa escala de 0 a 30, onde a nota 0 significa pobre, enquanto uma 30 indica perfeição.
Para chegar às notas, os autores do guia simplesmente calculam pontos dados por comensais individuais que regularmente se oferecem para preencher os questionários de Zagat.
Para cada restaurante o guia também fornece uma estimativa do preço da refeição para uma pessoa incluíndo um drink e a gorjeta, além de um sumário dos comentários dados pelos examinadores voluntários. Se os analistas estão muito divididos sobre um restaurante em particular, os dois lados são apresentados no sumário.
Controles rígidos foram adotados para assegurar que nenhum restaurante enganou o exame, conseguindo vários questionários e enviando para que amigos responderem.
Finalmente, num índice na parte traseira do livro, Zaggat classifica o restaurante de acordo com um grande número de categorias úteis. Entre elas: jantar de negócios, visitantes com dinheiro para gastar, lugares da moda, que ficam abertos até tarde, que abrem no domingo, para solteiros, com lista de vinhos premiada e para jovens de corpo ou espírito.
Para preparar o guia de Paris, Zagat distribuiu questionários para frequentadores de restaurantes, incluindo grupos de gourmets, advogados, banqueiros e contadores.
Os questionários listavam mais de mil restaurantes de Paris e faziam perguntas para tentar avaliar o máximo possível. Mais de 350 mil notas individuais foram devolvidas e subsequentes edições serão feitas com essa base.


