Paris rica de história e paixão
Passeios pela cidade foi também a forma que Edmund White escolheu para escrever sobre Paris. Há 16 anos flanando pela capital francesa, período em que colecionou impressões diversas, o escritor orgulha-se de conhecer todos os pontos únicos da cidade, alguns desconhecidos até pelos próprios moradores. A Paris de White é um lugar rico em história e paixão. Um passeio pelo bairro judeu, por exemplo, permite descobrir o pequeno museu Nissim de Camondo, com sua coleção impressionante de móveis da época de Luís XV e Luís XVI, criada por uma família de judeus que acabou exterminada durante o holocausto, na 2Guerra.
Autor de uma biografia de Oscar Wilde (publicada pela Objetiva), White buscou lugares que saciassem sua curiosidade literária. Assim, descobriu o Hotel du Lauzun, onde escritores como Balzac e Baudelaire, além do pintor Edouard Manet, encontravam-se para longas noites de música, alucinadamente recheadas por generosas doses de haxixe. E as reminiscências em Montmartre fazem aflorar a cultura de jazz criada pelos negros americanos no período entre as guerras e inclui histórias sobre Josephine Baker, Richard Wright e James Baldwin. Curiosamente, White ignora pontos de Paris conhecidos mundialmente, como a catedral de Notre-Dame.
Como uma cidade não é formada unicamente por monumentos, o escritor apresenta também uma interessante descrição dos parisienses, ''um povo voraz e apaixonante''. Ele inclui também anedotas e memórias pessoais sobre os gays de Paris, no passado e no presente. (U.B./AE)





