PARIS RECEBE A ARTE DE SEGALL
Jotabê Medeiros
Agência Estado
Depois de Chicago e Nova York, a obra de Lasar Segall chega ao velho continente. No dia 3, às 18h30, no Museu da Arte e da História do Judaísmo, em Paris, abre-se a exposição Lasar Segall: Nouveaux Mondes, que reúne 222 trabalhos do artista brasileiro. A abertura terá a presença do embaixador do Brasil na França, Marcos Azambuja.
Segall já foi apresentado aos americanos em duas mostras, a primeira em 1997 (no The David and Alfred Smart Museum of Art em Chicago) e a segunda em 1998 (no Jewish Museum, em Nova York). A retrospectiva do artista (nascido em 1891, em Vilna, Lituânia, e morto em 1957, em São Paulo) inclui pinturas, aquarelas, gravuras, desenhos e documentação iconográfica. Apenas duas das obras que foram aos Estados Unidos não estarão em Paris: Retrato de Luci VI e Jovem com Acordeão. Curiosamente, a primeira pertence ao Museu de Arte Moderna de Paris e a segunda ao Museu de Arte de Grenoble. O restante do acervo é do Museu Lasar Segall, de São Paulo.
Lasar Segall volta a Paris após 40 anos - sua última exposição retrospectiva foi realizada no Museu de Arte Moderna da capital francesa em 1959. O artista morou em Paris entre 1928 e 1932 e foi lá que começou a esculpir. Segundo Marcelo Araújo, diretor do Museu Lasar Segall, disse à reportagem por telefone, de Paris (onde está organizando a montagem da mostra), que houve uma pequena mostra de obras sobre papel de Segall em 1978 na Galerie Debret, na cidade, mas essa nova exposição é um acontecimento especial.
Outras obras do artista têm participado de diversas exposições coletivas em museus europeus nas últimas décadas, abordando aspectos do expressionismo alemão e do modernismo latino-americano ou da arte judaica do século 20. Segundo Araújo, o interesse em torno da obra do artista brasileiro é imediato, parte por causa da própria história da vida de Segall. Ele foi da Lituânia para a Alemanha, de lá para o Brasil e depois viveu na França, diz o curador. Essas sucessivas imigrações e a influência desses contextos na obra de Segall têm muitos interesses, afirma.
O Museu da Arte e da História do Judaísmo foi inaugurado em 1998, é mantido pelo Ministério da Cultura da França, pela prefeitura de Paris e pela comunidade judaica francesa. Situa-se na Rue du Temple, no Marais, em um imóvel do século 17, que era ocupado por artesões judeus e foi inteiramente restaurado para abrigar o atual museu. A exposição conta com diversos apoios, dentre os quais o do Ministério da Cultura do Brasil, o das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Paris, e da Associação Cultural de Amigos do Museu Lasar Segall.
O catálogo da exposição européia de Segall traz um artigo inédito de Celso Lafer, intitulado Particularismo e Universalidade: O Judaísmo na Obra de Lasar Segall, escrito em fevereiro de 1999. Nele, Lafer analisa a obra de Segall desde o nascimento do artista na Lituânia - considerada pelos europeus a Jerusalém do Norte, relembra Lafer. Em Vilna, como nos conta Czelaw Milosz em suas memórias, as comunidades judaica e católica vivem no interior dos mesmos muros, mas sobre dois planetas diferentes, assinala.
Lafer relembra uma entrevista de Segall a Anatol Rosenfeld, publicada em 17 de julho de 1951. Ali, Segall destaca a importância dos motivos judaicos em sua obra, em quadros como Pogrom e a sua aspiração em destacar o universal, o humano, o destino da humanidade em geral.Retrospectiva com 222 obras de Lasar Segall abre no próximo dia 3 na capital francesa
ReproduçõesÀ esquerda Duas irmãs, tela expressionista de Lasar Segall de 1913, e o artista com seu clássico guarda-pó na conclusão de uma de suas grandes esculturas





