Paris nem sempre é só festa
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sexta-feira, 04 de setembro de 1998
Simone Mattos 
Um manifesto da população de Paris, flagrado pelo antropólogo e fotógrafo paulista Tadeu Giglio, se transformou numa exposição de 16 fotos, Manif, que está na Sala Arte Design & Cia, da UFPR. A minha proposta é promover o questionamento, junto à sociedade brasileira, sobre as manifestações pacíficas e organizadas, disse Giglio.
Pós-graduado em Antropologia Visual na Universidade de Sorbonne, Giglio foi sensibilizado pela movimentação do dia 16 de dezembro de 1995, um sábado em Paris, quando o povo retirou do poder o primeiro ministro Alain Juppé.
Em outros lugares do mundo, as pessoas saem às ruas expressando seus ...Esta é a minha proposta de questionamento, disse Giglio. Mostrar que em outros lugares do mundo as pessoas saem às ruas expressando seus descontentamentos e desejos, de forma pacífica, sem parecerem rebeldes, discursou o antropólogo.
Em suas fotos está estampado um dia diferente do cotidiano parisiense, onde as ruas amanheceram agitadas, nenhum meio de transporte público funcionou e todos saíram para protestar, mas voltaram felizes para suas casas.
A Manif começou na Praça Denfert-Rochereau, percorreu os boulevard Arago, St.Marcel, de LHopital, atravessou o Rio Sena pela Ponte dAusterlitz, seguiu pela Av.Ledru e chegou a praça Bastille através da Rua de Lyon.
A desaprovação da política neoliberal, colocada em prática pelo ministro, ficou pública na Manif. Os franceses não suportaram as mudanças nos seus direitos sociais fundamentais e nas políticas sociais, como saúde, educação e seguridade social, e não toleraram a privatização dos serviços públicos.
... descontentamentos e desejos, de forma pacífica, sem parecerem rebeldes,A exposição mostra a ampla participação de instituições, associações, sindicatos e do público em geral na manifestação, sem a presença de partidos ou discursos políticos. O movimento foi extremamente organizado, demonstrou ao poder público a desaprovação popular e conquistou seu objetivo. Isto é uma prática normal em vários países do mundo, mas os brasileiros não têm esta dimensão, provocou.
Giglio é professor de Antropologia do curso de Ciências Sociais, da Unesp, onde também atua como responsável pelo laboratório de fotografia do Campus. Envolvido com a arte da fotografia desde 1973, ele sempre se dedicou aos documentários e reportagens fotográficas. Giglio já participou de diversas exposições coletivas e realizou duas individuais.
Sempre conciliando fotografia à reflexão histórica e antropológica, Tadeu Giglio recebeu em 1993 o Prêmio Estímulo, atribuído pela Secretaria de Cultura da cidade de Campinas, com o trabalho Retratos da Nova Campinas.


