Terminaram as encenações espetaculares e os modelos extravagantes criados unicamente para as fotos: os estilistas parisienses que acabam de apresentar suas coleções de alta costura privamera-verão 99 dão mostras de realismo e pensam em sua clientela.
Este novo pragmatismo é ilustrado pelas silhuetas mais formais que desfilaram durante cinco dias nas passarelas, e pelas gamas de cores suaves e discretas.
Frederick FlorinOusadia total no frente única de Saint-Laurent valorizado pela sensualidade de Georgina RobertsonFrederick Florin/France PresseA modelo norte-americana Georgina Robertson com vestido azul royal criado por Saint-LaurentInclusive os bordados fundem-se com discrição nos tecidos. Única concessão, a profusão de penas de avestruz ou de faisão.
A época é dura para as top-models. Cada vez mais anônimas, as modelos deixam o papel principal aos vestidos. Naomi Campbell e Kate Moss fizeram somente fugazes aparições, e Laetitia Casta teve um momento de glória ao interpretar a noiva ataviada de rosas e seminua de Yves Saint-Laurent.
John Galliano voltou às apresentações quase íntimas. Deixando de lado seu talento para o vestuário histórico, o estilista britânico deve ter colocado toda a atenção em seus clientes para propor-lhes os magníficos terninhos, que sem dúvida serão um êxito de vendas.
Pierre Verdy/France PresseNo fim do século, Paco Rabanne continua apostando nos modelos metálicos que o consagraram nos anos 60Pierre Verdy/France PresseA modelo espanhola Ester Canadas com vestido de renda branca e jaqueta de seda criados por Pierre BalmainJean-Paul Gaultier demonstrou que é digno herdeiro de Saint-Laurent, de quem tem o mesmo sentido da elegância e a quem prestou homenagem com sua interpretação do clássico smoking.
Outro momento de poesia foi a coleção de Christian Lacroix: silhuetas graciosas, tecidos preciosamente trabalhados e harmonias de cores pálidas ou fulgurantes.
Houve certamente os desfiles-shows, como o de Thierry Mugler e suas suntuosas criaturas belas com vestidos que se ajustam ao corpo como uma segunda pele.
Alexander McQueen, estilista de Givenchy, se divertiu também contando uma história em forma de retrospectiva do vestido do século XVIII aos nossos dias. Mas, tirando alguns elementos simbólicos, a maioria de seus vestidos pode ser adaptada a uma clientela moderna.
Finalmente, o último comentário para Paco Rabanne. Este visionário se declara pessimista quanto a 99, mas ‘‘como reação às anunciadas dificuldades planetárias’’, afirma estar ‘‘maravilhado de antemão pelas coisas geniais que vão ser inventadas’’. ‘‘Entramos numa época de surpreendente criatividade’’, assinalou.Pierre Verdy/France PresseChristian Lacroix inspirou-se na moda do século passado para criar o vestido usado com casaco curto
Frederick Florin/France PresseA modelo francesa Laetilia Casta causou sensação com um vestido de noiva de Saint-Laurent feito para causar impacto na passarelaMarie-Dominique Follain
France Presse

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