Parece coisa de cinema
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terça-feira, 29 de abril de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Não será por falta de salas de cinema que Curitiba vai continuar a ver as principais estréias nacionais e internacionais com atraso. O Shopping Mueller inaugurou ontem o primeiro passo para a construção de oito salas de cinema, com previsão para serem concluídas até o final do ano. A passarela rolante é uma obra inédita na América Latina e também o primeiro caso de ocupação aérea privada sobre uma via pública em Curitiba. O que gerou, é claro, uma certa polêmica em todo o seu percurso de construção.
De autoria do arquiteto curitibano Adolfo Sakaguti, a moderna obra tem nove metros de altura e 61 metros de extensão. Vai funcionar como um elo de ligação entre o novo estacionamento, já em funcionamento, e as futuras salas de cinema. As salas serão construídas no antigo piso G3 do shopping e terão capacidade total para cerca de 2,3 mil pessoas. Os novos cinemas serão administrados pela empresa norte-americana Cinemark, que já incluiu no projeto espaço para filmes alternativos.
Com o empreendimento, o presidente do Shopping Mueller, Salomão Soifer, diz esperar crescimento no fluxo de visitantes do shopping de até 30%. ''Também vamos gerar 2,5 mil novos empregos com a inauguração da passarela, estacionamento e cinemas'', contabiliza Soifer. Para ele, um shopping que não tem entretenimento fica defasado. Foi partindo dessa premissa e de um estudo encomendado sobre a demanda dos clientes do shopping, que a empresa decidiu investir na construção das salas de cinema.
E já que o primeiro shopping de Curitiba tinha limitações físicas para abrigar tais projetos, um prédio em frente, na Rua Mateus Leme foi comprado para tal fim. O problema seria resolver a interação entre o fluxo de veículos e de passageiros sobre a rua, bastante movimentada. A solução foi a passarela. O projeto foi aprovado pela prefeitura que, como contrapartida, recebeu o prédio onde funciona atualmente o Moinho Novo Rebouças.
Uma iniciativa não tão lucrativa, já que poucos eventos (ou nenhum) têm acontecido no local ultimamente, mas certamente valiosa, já que o prédio e o terrreno do Novo Rebouças está avaliado em R$ 2 milhões, como informou o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL) à Folha, durante a inauguração da passarela.
''Qualquer pessoa ou empresa pode construir uma passarela sobre uma rua, desde que o projeto seja aprovado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc)'', argumentou o prefeito, rebatendo as críticas que envolvem a construção da passarela. O prefeito adiantou ainda que outro projeto semelhante está em discussão, o de construir uma passarela ligando dois prédios da Faculdade de Administração e Economia (FAE), já aprovado pelo conselho do Ippuc e em trâmite na Câmara Municipal.
No caso da faculdade privada, uma das contrapartidas já oferecida à prefeitura são bolsas de estudos para alunos da rede municipal de ensino. ''A outra ainda está sendo estudada'', informou o prefeito. Em relação à contrapartida oferecida pelo Shopping Mueller para construir a passarela rolante, o valor do prédio do Novo Rebouças já estava incluido no montante de R$ 18 milhões, orçados para os cinemas e a passarela.
Fora esse investimento, a Cinemark ainda vai injetar R$ 10 milhões no projeto do Mueller e está com uma expectativa de faturamento de até R$ 9 milhões por ano. A Cinemark administra outras 264 salas no Brasil e é líder em exibição na América Latina. No Shopping Mueller, os padrões das salas que serão construídas vão seguir os cinemas gerenciados pela multinacional. As salas têm telas de parede a parede, sistema de som digital, isolamento acústico, poltronas reclináveis e suporte para copos e bandejas para quem não dispensa as guloseimas enquanto assiste a um bom filme.
A expectativa, aliás, é que as salas possam abrigar filmes muito além do cinema comercial, já que a Cinemark tem a tradição de realizar em suas salas, bons eventos como o Festival de Cinema Francês e o Projeta Brasil.
Na contramão das luxuosoas e caras salas, mas não com menos conforto, outras salas de cinema também inauguram no próximo mês, no Bairro Vila Hauer, em Curitiba. O novo Shopping Cidade vai abrigar cinco salas de cinema, com capacidade total para 1,2 mil pessoas. O empreendimento é do Grupo Cinesystem, de Maringá. Para atrair espectadores, o grupo vai apostar no diferencial do preço, que serão mais baratos do que os praticados pelos multiplex.
Quanto à programação dos dois investimentos, resta esperar que a partir da inauguração de tantas salas, Curitiba possa oferecer também boas atrações. Já que prédios bonitos não querem dizer nada.


