ReproduçãoA banda Prodigy do malucão Keith Flint faz parceria no disco com Tom Morello, do Rage Against the MachineÉ para romper de vez as barreiras. Há quatro anos, bandas de rock gravaram músicas em parceria com grupos de rap para a trilha sonora do filme ‘‘Judgment Night’’. O resultado, que trazia colaborações célebres como Sonic Youth com Cypress Hill e Slayer com Ice-T, foi demolidor.
Agora, com o som eletrônico em alta, os adeptos da guitarra-baixo-bateria resolveram ‘‘bater estacas’’ ao lado de DJs e artistas da confraria techno. Como naquela ocasião, o motivo para celebrar o mix de estilos parte do cinema, desta vez como cortesia do filme ‘‘Spawn’’.
Spawn é baseado no herói sombrio dos quadrinhos criado por Todd McFarlane. No Brasil, o gibi está no número 18 e acaba de ganhar periodicidade quinzenal. Mas se o filme só estréia por aqui em setembro, a trilha sonora já grita nas importadoras.

ReproduçãoMarilyn Manson toca com o grupo de trip hop inglês Sneaker PimpsTrazendo 14 parcerias inusitadas, o disco chega a apagar completamente as impressões digitais de alguns roqueiros retalhando suas indentidades musicais em meio às batidas, efeitos e ruídos computadorizados.
Ramificações É o caso da banda Slayer, expoente máximo do thrash metal, que sai em frangalhos sob o tiroteio techno do grupo alemão Atari Teenage Riot. Henry Rollins surge irreconhecível sob o fuzuê jungle armado por Goldie. O trio Silverchair perde a cara remixado por Vitro. O Metallica aparece com os vocais flutuando entre batidas repetitivas e barulhos que parecem sinos de igreja.
Marilyn Manson desponta com seu metal-maníaco-industrial unindo-se ao grupo de trip hop Sneaker Pimps. E assim prosseguem as demais faixas, repassando as vertentes do som eletrônico através de colaborações como Filter e The Crystal Method, Orbital e Kirk Hammett (do Metallica), Korn e Dust Brothers, Butthole Surfers e Moby, Incubus e DJ Greyboy e Soul Coughing e Roni Size.

ReproduçãoCapa da trilha sonora do filme ‘‘Spawn’’ Potência Entre bons e maus momentos, o álbum tem o mérito de jogar a última pá de cal sobre a ‘‘divisão de gêneros’’, defendida ainda em guetos rabujentos de metal e punk. No entanto, o conceito por trás dos cruzamentos sonoros não traz nada de novo, como demonstram grupos eletrônicos como Prodigy e Chemical Brothers.
Em seus trabalhos, as guitarras pesadas, os samplers, os sequenciadores e as baterias programadas habitam a mesma frequência - e numa potência muito mais abrasiva do que encontros de ocasião.

mockup