Parceria premiada
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quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1934, o italiano Luigi Pirandello (1867-1936) é o autor do texto que marcou as comemorações de 30 anos do Grupo Galpão, em 2013, e o retorno da bem-sucedida parceria com o diretor Gabriel Villela. Celebrada pela crítica e aplaudida por um público que ultrapassa 100 mil espectadores, a peça "Os Gigantes da Montanha" estreia no Filo 2015 com sessões hoje e amanhã, às 20h30, no Espaço Petrobras.
A montagem do grupo mineiro é uma alegoria sobre o valor do teatro e sua capacidade de comunicação com o mundo moderno, cada vez mais pragmático e empenhado nos afazeres materiais. A peça conta a história de uma companhia teatral decadente que chega a uma vila isolada, cheia de encantos e governada por um mago. A trupe de mambembes está à beira da miséria por obsessão de sua primeira atriz, a condessa Ilse, em montar a peça "A Fábula do Filho Trocado", escrita por um jovem poeta que se matou por amor não correspondido por ela.
Vítima de uma pneumonia, Pirandello não conseguiu terminar de escrever a peça até a sua morte, em 1936. No entanto, antes de falecer chamou ao leito seu filho Stefano e lhe relatou um possível final para a fábula. Encenada em dois atos e com um final em aberto, "Os Gigantes da Montanha" permite interpretações diversas.
Na peça, Cotrone, o mago criador de "Verdades que a Consciência Rejeita", começa a construir os personagens que faltam para a companhia montar a peça. Convida então os atores a permanecerem sempre na vila, representando apenas para si mesmos a "Fábula do Filho Trocado". Porém, Ilse insiste que a obra deve viver entre os homens, sendo representada para o público.
A solução encontrada, que resultará no desfecho trágico, é a representação para os chamados "Os Gigantes da Montanha", povo que vive próximo da vila. Os gigantes, por terem um espírito fabril e empreendedor, desenvolveram muito os músculos e se tornaram bestiais, não valorizando a poesia e a arte. O ato final da peça, que ficou inconcluso, mas que chegou a ser vislumbrado pelo autor, descreve a cena em que Ilse e a poesia são trucidadas pelos embrutecidos gigantes.
Villela optou por criar uma ponte entre Brasil Itália, com referências que vão da macumba à magia, passeando pela commedia del'arte e circo-teatro, Vandeville e Mamulengo, ópera e seresta mineira.
Com atores usando máscaras inspiradas na Commedia DelArte e fabricadas pelo artista natalense Shicó do Mamulengo, a encenação adquire um clima burlesco e, ao mesmo tempo, sombrio. O cenário é construído com madeira de demolição que formaram 12 mesas robustas, objetos, armários e cadeiras que se movimentam para elevar a encenação e caracterizar a atmosfera de conto de fábula.
"Gigantes da Montanha" conferiu ao Galpão, em 2013, o Prêmio Melhores do Ano pelo Guia Folha de S. Paulo, na categoria Melhor Estreia, e o Prêmio Questão de Crítica, na categoria Melhor Direção Musical Trilha Sonora Original. Premiações que se entendem ao circuito teatral 2015, como o Prêmio Copasa Sinparc de Artes Cênicas, nas categorias Maior Público e Melhor Figurino.
Serviço
Os Gigantes da Montanha - Grupo Galpão (MG)
Quando Hoje e amanhã, 20h30
Onde - Espaço Petrobras (Av. Celso Garcia Cid, 1489)
Quanto R$ 25 e R$ 12,50 (meia-entrada)


